12 de agosto de 2010

Iron Maiden, Koegen Fortress, Bergen, Noruega - 11/08/2010

“Always look on the bright side of life...”

Budapeste, Hungria

E cá estamos no aeroporto Feriheji de Budapeste, Hungria, esperando a amanhecer a manhã a sexta-feira, 13 (ui!!) de agosto. Saímos de Bergen, Noruega, fizemos uma conexão em Roma, Itália (aeroporto caótico do caralho!!) e estamos aqui em Budapeste pra mais um show do Maiden e um pouco de passeio pela cidade que ninguém é de ferro. A Noruega realmente é cara pra caralho. Estupidamente cara, mas, valeu a pena. É um país estupidamente bonito. Cenários de filme. Não é a toa que a locação final praser rodado “O senhor dos anéis”, ficou entre Noruega e Nova Zelândia. Saímos da Finlândia, com cara de Finlândia. Chuva, frio e nevoeiro e chegamos à Letônia com cara de Recife. Quente pra caralho, novamente!! De lá, finalmente pegamos nosso vôo final com destino a Bergen, Noruega, onde aconteceria mais um show do Iron Maiden nessa minha louca turnê seguindo os caras. Pingando de país em país, cidade em cidade, aeroporto em aeroporto, albergue em albergue. É informação pra caralho! Às vezes, esqueço onde estou, qual idioma falar, pra onde estou indo e o que estou fazendo. Cheguei a Bergen por volta das 21h da segunda, dia 09 de agosto. O plano era dormir no aeroporto mesmo e, assim, economizar um dia de albergue, já que tudo aqui na Noruega é o olho da cara. De cara, acho um brasileiro no aeroporto dizendo: Brasil!! Já que eu estava com a camisa azul da seleção, era fácil reconhecer. Na imigração, muita simpática, perguntaram se a gente tava junto, dissemos que não e nos liberam sem mais perguntas e com toda simpatia do mundo. Achei que iria chegar ao aeroporto e ao menos ter internet. Que nada! Além de minúsculo, o aeroporto de Flesland não tinha sequer o lugar de informação funcionando. Ficou difícil, assim, hein! O jeito, foi “montar acampamento” nas cadeiras do aeroporto e ficar olhando pro nada mesmo, já que nem internet eu teria pra passar o tempo. Alguns minutos depois, aparece mais um!! “Brasileiro?” – perguntou o rapaz. Respondi que sim e ficamos de papo até cada um capotar prum lado, hehe. Muito simpático o Leandro. Estudante de engenharia, estava morando em Bergen há oito meses e me deu dicas importantes dos costumes e modos de vida noruegueses. Me explicou, por exemplo, que quando uma mulher tem filho pros lados de cá, o governo lhe dá um generosa pensão até o pivete completar 18 anos, além, claro, de lhes oferecer saúde, educação e transporte de qualidade. Se estiver desempregado, o governo te banca até arrumar outro emprego. O mesmo, também te ajuda até conseguir um. Garrafas pet ou latinhas? Após certo número, põe na máquina e ganha algumas coroas norueguesas de volta. Nada mal. Uma cidade que funciona muito bem. Muita segura também, segundo o mesmo. A única coisa de ruim que ele me falou, foi que era cara. Nada mais. Linda cidade, apenas 250 mil habitantes. O que impressionou ainda mais o Maiden ter conseguido levar 20 mil pessoas pra um show. 20 mil pessoas numa cidade de 250 mil pessoas!! Essa banda realmente é única. Puta que me pariu!! Quase 10% da população no show dos caras. Onde quer que eu vá, a adoração é a mesma. Ninguém tá me contando. To vendo com meus olhos. Tudo. Dia a dia.







Ao contrário da Finlândia, cheguei à Noruega com cara de Noruega. Frio do cacete. Doía pra respirar e saia vapor da boca. Senti que tava ficando doente. Mas, firme e forte, agüentei o tranco. Muito suco de laranja, banana, camisa enrolada no pescoço e nariz pra proteger o meu pulmão do frio. Pobre pulmão. Tem sido muito exigido nessas mudanças constantes de cidades e países. Não posso reclamar da minha saúde que, até agora, está de ferro. Peguei três ônibus pra chegar ao albergue, mas, quando cheguei, valeu à pena. Eram montanhas, cachoeiras, lagos e florestas pra todo lugar. Realmente uma cidade linda. Bergen quer dizer sete montanhas, que é o que traduz a cidade. E traduz com beleza. Meu albergue ficava no alto duma montanha e tinha uma visão linda. Montanhas, florestas, mar. Estava eu ali? Era verdade? Uma simpática e linda norueguesa chamada Kristin me atendeu. Hipnotizantes olhos azuis. Eram cerca de 9h e eu tava morrendo de sono e só podia fazer o check in às 14h. Não adiantou chorar dessa vez pra entrar antes. A linda norueguesa bem que tentou achar um quarto, mas não conseguiu. Mas, ainda me deu um desconto na diária. Pena que não pude trazê-la na mala...







Assim que consigo conexão, ótima notícia, vazou o novo álbum do Maiden, seis dias antes do lançamento oficial. Após penar pra conseguir o Download, lá fui eu pro quarto, ansioso ouvir. Bem protegido do frio, foi uma experiência ótima ouvir o novo álbum do Maiden em Bergen, na Noruega, com aquela vista linda. De cara, gostei de cada uma das músicas do novo álbum o que é extremamente raro. Meus ouvidos são mulheres exigentes e difíceis de agradar. A chance de gostar de músicas novas de primeira ouvida é rara como nevar no Recife. Nevou no Recife...







O álbum é fantástico. Após ouvir mais algumas vezes, com mais atenção, ainda não consegui encontrar defeitos. A ansiedade agora, começa pra ouvir essas músicas ao vivo que, sem sombra de dúvidas, soarão ainda melhores que no álbum. Gerou-se uma grande expectativa com esse novo álbum do Maiden e, pelo visto, expectativas muito bem atendidas. The Final Frontier, sem dúvidas, é o melhor álbum do Maiden dessa fase nova, desde a volta de Bruce e Adrian em 1999. Maduro, progressivo, ousado, pesado, inovador. Um Maiden diferente, porém com seus ingredientes intactos. Fantástico!!

Esse show da Noruega, pessoalmente, tinha algo de especial. Iria junto com uma antiga amiga de Recife que mora em Trondheim, a terceira maior cidade da Noruega com 150 mil pessoas. Ela tava vindo de lá pra ver o show aqui em Bergen e eu, nessa minha turnê maluca. Muito bom encontrar um amigo do outro lado do mundo. Ótima sensação de estar em casa. Ela chegou ao albergue onde eu tava hospedado na quarta, dia 11 de agosto, logo pela manhã, após eu fazer um generoso café da manhã. Tinha nutella como em Portugal. Viciei nesse negócio. Como tudo na Noruega é caro, inclusive comida, comi até enjoar, hehe. E lá fomos, eu e Dea, bater perna pela enorme cidade de Bergen, hehe. Pegamos um ônibus do albergue ao centro e lá deixamos nossas mochilas e coisas. O show, ficava há uns dez minutos caminhando dali, o que foi um prazer, hehe. Pequena, mas linda cidade. Metaleiro com camisa do Maiden pra todos os lados. Todas as idades. O que é que essa banda tem? Hehe.

Comemos uma deliciosa pizza que ela se negou a aceitar meu pagamento (ow Dea!) e fomos ao lugar do show. Tinha uma entrada que já dava pra ver de camarote o palco pronto em todos os detalhes. Começamos a nos perguntar se ninguém fecharia o lugar, caso não, seria injusto, pois a visão era privilegiada. Ainda bem, horas depois, um educado guarda nos pediu simpaticamente pra entrarmos pelo outro lado pro show. E lá fomos. Friozinho, céu carregado, mas apenas chuviscos. Entrada tranqüila, povo tranqüilo, exceto uns bêbados idiotas que eu e Dea tínhamos imã pra atrair. Mas logo saímos de perto dos cuzões e vimos ao show de abertura do Dark Tranquiliti. Boa apresentação. Compentente, mas, não é minha praia e, sejamos honestos. Abrir pro Maiden é, ao mesmo tempo, uma honra e uma maldade, hehe.

O Maiden entrou pontualmente às 21h locais com o fôlego de sempre. Com palco seco dessa vez, Bruce não levou tombo nenhum logo na entrada com The Wicker Man, mas, novamente, a chuva apareceu. E forte. Algo incomum até pros padrões de Bergen. Chove pra cacete lá. É a cidade que mais chove na Europa, mas, nunca forte. Choveu forte, mas nada se comparado à tempestade destruidora da Finlândia. Choveu forte, molhou todo mundo e tornou o show mais bonito que, debaixo de chuva e com uma linda iluminação que mudava de cores o tempo todo e subia e descia como na época da World Slavery Tour deu um tom de charme ao show. Ao meu lado, um norueguês empolgado de seus 20 anos que cantava cada música e se empolgava mais quando eu pulava do lado. Estranhos esses noruegueses, ehehe. Mulher bonita pra cacete, mas feia também. Os discursos de sempre, mas uma banda competente como sempre. Mais uma noite, assim como todas, o Bruce dedicou a Blood Brothers a Dio e fez seus tradicionais discursos. Voltariam em breve, em alguns dias, o The Final Frontier seria lançado e a coisa de sempre. Depois do show espetacular da Finlândia, era meio que natural que esse fosse mais frio e sossegado e assim foi. Não que tenha sido ruim, de jeito nenhum, mas, dos cinco que fui até agora, Irlanda, Inglaterra, Alemanha, Finlândia, esse, da Noruega, foi o mais fraco. Que venham os cinco próximos e últimos shows desse ano dos ingleses: Hungria, Romênia, Itália, Bélgica e Espanha. Após essa maratona, darei uma sossegada e passarei mais tempo num país só e, lá, descansarei pra, com mais calma, concluir essa minha viagem maluca e sem noção. Falta pouco mais de um mês ainda de estrada e ainda passaremos por Hungria (Budapeste), Romênia (Cluji Napoca, Brasóvia e Temissora), Itália (Roma, Veneza e Milão), Bélgica (Bruxelas), Espanha (Valência, Madri e Barcelona), Holanda (Amsterdã), Dinamarca (Copenhage) e Noruega novamente, dessa vez, Oslo. E finalmente estaremos de volta ao Brasil após quase quatro meses na estrada. Eu, eu mesmo e eu novamente, sempre. Prontos pra novas aventuras em 2011? Ainda temos um mês e dois dias por aqui. Muita coisa a acontecer. Lá vamos nós do lado de cá. Firmes e fortes. Fiquem do lado daí, igualmente, firmes e fortes. Up the Irons!!

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free





PS: Sem sombra de dúvida, post dedicado carinhosamente à minha amiga Dea. Me impediu de pagar a pizza, o taxi da estação pro aeroporto e ainda me deu de presente um típico chocolate norueguês. Puta que pariu, Dea!! Não se faz isso com um chocólatra. Que negócio bom do caralho!! Ah, e só pra variar, perdi mais coisa, hehe. Dessa vez, foram os fones de ouvido do notebook e a jaqueta. Espero que não faça frio nas próximas viagens ou terei que comprar uma jaqueta de emergência, hehe. Veremos se o leste europeu, Hungria e Romênia é barato como todos dizem e, perigoso. Por via das dúvidas, não fecharei os olhos nesses países. Tudo de bom e brigadão, Dea. Ró, ano que vem é tua vez de acolher a mala aqui aí no Canadá, hein. Ui!! Tem amigo safado e pobre quem pode, hehe. Pisão no pé!

PS 2: Dormir no aeroporto de Bergen foi uma experiência legal. Tem uma salinha fechada lá só pra isso. Poltronas de couro, etc. Eu e Dea, não conseguimos lugar e dormimos no chão mesmo, forrado por um lençol trazido por ela. Mas foi divertido e eu dormi, hehe.

PS 3: Encontrei toda a equipe técnica do Maiden no aeoporto de Bergen. Tavam indo fazer uma conexão em Frankfurt, Alemanha. Muito bacana e engraçado o pessoal, hehe.

PS 4: Japonês é um povo bacana, mas, às vezes, enche o saco. Por que diabos tem que ficar rindo de tudo o tempo todo? Ora pinóia!! Penei pra achar um lugar quieto no maldito aeroporto de Roma. Achei. Tava eu lá, comendo em paz e em silêncio, escondido atrás duma pilastra, quando chega um grupo pra mais de cinqüenta olhos-puxados. Po, até que simpatizo com eles, mas tinham que perturbar minha tão procurada paz nesse maldito aeroporto? Poderiam ao menos ficar quietos? Ow!!

PS 5: O que diabos esses italianos do aeroporto de Roma tem contra energia elétrica? O aeroporto é estupidamente grande e caótico e não se encontra uma tomada sequer pra carregar seu computador ou celular. Vá se foder!! Tem dias que você enche o saco de tanta gente estúpida no mundo e, por mais calmo que seja e alto-astral, simplesmente, há horas que dá vontade de sair gritando, empurrando e xingando a todos. Gente!!! Arrrgh!!

PS 6: A primeira impressão sobre os italianos foi péssima. Além da porra do aeroporto ser uma zona e não ter tomada, o vôo pra Hungria atrasou uma horas, saiu de Roma quase 0h e tinha um bando de italiano imbecil falando alto o tempo todo enquanto todo o avião tentava dormir. Povo mais mal educado. Imbecis!!

9 de agosto de 2010

Iron Maiden, Sonisphere Festival, Kirjurinluoto Park, Pori, Finlândia - 08/08/2010

"It's the same in every country when you're say are leaving..."

Helsinque, Finlândia

Cheguei na Finlândia com cara de Recife e estou deixando-a com cara de Finlândia. Quando aqui cheguei, na noite de sexta, dia 06 de agosto, estava anormalmente e insuportavelmente quente pra realidade finlandesa. Em plena Escandinávia pegar 30 graus não é mole. Eu, que sou duma cidade quente como o inferno chamada HELLcife, sofri, imagine os pobres finlandes que estão acostumado com gelo na maior parte do ano. Seria um prenúncio do que aconteceria no dia seguinte?







Como tudo aqui é extremamente caro e cheguei por volta das 20h da sexta, dia 06 de agosto, resolvi esperar no aeroporto a madrugada inteira, ir ao albergue apenas na manhã do sábado, dia 07 e, assim, economizar uma diária. Não foi difícil. Apesar de morto de cansado e não dormir praticamente há dois dias, quando saí da Irlanda, rumo à Inglaterra, depois Alemanha, depois Letônia e finalmente Finândia. Mas, resisti e assim fui ao albergue na manhã de sábado. Fácil e barato (que surpresa!!), ônibus pro albergue. Cerca de meia hora do aeroporto e mais 10 minutos a pé depois de descer do mesmo. Não foi difícil de achar. Mas eu tava morto e precisava urgente dum banho, duma cama e de algo pra comer. Cheguei por volta das 7h no albergue e o check in só seria as 14h. Fui tomar um reforçado café da manhã enquanto isso. Depois, chorei na recepção, explicando o que aconteceu comigo, dias sem dormir e todo o estresse e cansaço, então, a simpática finlandesa da recepção, foi gentil e compreensiva comigo e me cedeu um quarto às 7h30. Obrigado, garota gentil. De brinde, ainda ganhei um desconto bacana de 24 por 16 euros e ainda tive um quarto individual ao invés de um de seis camas que havia reservado. Realmente não posso reclamar dos finlandeses. Dormi até anoitecer praticamente. Acordei pra resolver uns detalhes finais da viagem e dormi de novo até a manhã de domingo, dia 08 de agosto, dia do Sonisphere Festival na Finlândia. Mais um show do Maiden! E lá fomos nós!

Cinco minutos a pé do albergue pra estação por volta das 11h. Meu trem sairia às 12h06 e chegaria as 15h56. Uma longa e cara viagem. 70 euros de ida e volta. Puta que me pariu, Finlândia!! Não podiam inventar de fazer o festival na capital Helsinque? Tinham que fazer numa cidadezinha chamada Pori há 4h da capital, mesmo num trem que chegava perto dos 200 Km/h?! Putz!! Mas lá fomos assim mesmo. O calor era infernal e eu suava em bicas. E olhe que não sou de suar. Mas a viagem passou rápido e em momento nenhum foi tediosa. Faltando cinco minutos pra chegar na estação, caiu um temporal que fez o trem balançar e encher d'agua. Foi preciso vir gente da tripulação pra tentar fechar as janelas com os fortes ventos. Pensei comigo mesmo: "Ah, não...tanto calor pra ver mais um festival debaixo de chuva e lama, não. Puta que pariu!!". Mal sabia que eu estava sendo o cara mais sortudo do mundo em estar no trem naquela hora...




Assim que desci, a tempestada ainda tava punk, mas passou muito rapidamente e abriu um sol. Impressionante. Quando cheguei ao local do festival, 10 minutos depois de descer do trem, fiquei meio assustado. Era ambulância pra todo lado correndo em disparada pra todas as direções. Que porra tava acontecendo? Apesar disso, a multidão ao redor estava quieta, o que me fez estranhar ainda mais e me perguntar o que acontecia. Primeiro, tratei de por a mochila numa barraca que armaram lá com segurança (ufa, nada mal, pois assistir aos shows com mochila pesada nas costas ou no chão é muito desconfortável) e logo entrei no lugar. Como cheguei depois das 16h, perderia o show do Anthrax e Slayer. Mas, tudo bem, já que os havia assistido. Daria tempo de ver o Iggy Pop, Motley Crue, Alice Cooper e Iron Maiden que, não escondo de ninguém, é o motivo principal dessa viagem e, claro, dos festivais.

Estranhei o fato do palco do Motley Crue estar meio detonado e o principal sem as cortinas pretas laterais e de fundo e as frontais com os logos do Sonisphere Festival. Então, lá fui buscar informações. Tinha um casal de finlandeses do meu lado e perguntei o que aconteceu. E aí explicaram que caiu um temporal repentino cinco minutos após o show do Slayer (aquele mesmo que eu peguei no trem e fez o mesmo balançar assustando a todos) e a coisa foi feia. Uma tempestade com ventos de quase 150 Km/h (similar a que aconteceu em março, no Rio de Janeiro, derrubando o palco e cancelando o show do Guns N' Roses), fez desabar parte da estrutura do palco dois, onde aconteceria o Motley Crue e causar outros sérios danos ao palco principal onde tocaria o Maiden. A chuva e o vento arrancou as cortinas laterais, frontais e traseiras, mas o principal não foi isso. Devido aos fortes ventos, muitas barracas saíram voando e atingiram pessoas. Cerca de quarenta foram feridas, duas em estado grave. É, eu não posso reclamar da sorte nessa viagem. Cheguei minutos antes da tragédia. Pro trem ter balançado do jeito que balançou, assustando a todos e o inundando, é claro que o temporal era feio.

Todos se perguntavam a essa altura se ainda haveria shows ou cancelariam tudo. Uma mulher da organização entrou no palco várias vezes pra informar as novidades e acalmar o público que se mostrou paciente e educado o tempo todo sem entrar em pânico. Os telões também emitiam informações em inglês. Após algum atraso, totalmente compreensivo pelo caos que aconteceu, Iggy Pop ainda subiu no palco pra tocar quatro músicas acústicas por respeito aos fãs. Fantástica atitude e fantástico profissionalismo tanto da banda quanto da produção. A questão principal, porém, era se haveria show do Alice Cooper e, principalmente do Iron Maiden. Após algum tempo de silêncio, a mesma produtora loira entra no palco novamente pra dar alguns avisos. O palco tinha sido danificado, o som também, os fios idem, e pediu pra todos abrirem espaço e saírem de cima daquela plataforma de borracha e aluminio que montam no meio do show, no chão, ligando a torre de som ao palco. Técnicos trabalharam arduamente e rapidamente pra trocar os fios. O público também colaborou muito atentendo a todos os pedidos da produtora. Após alguns minutos de trabalho intenso, eis que sobe ao palco o próprio Bruce Dickinson. Pediu paciência a todos e agradeceu pela colaboração e compreensão e decidiu ele mesmo explicar o que tava acontecendo. Parte da produção do Maiden, que estava no aeroporto de Pori, não chegaria a tempo, já que o avião deles tinha simplesmente sido distruído com a tempestada, parte do cenário também não seria montada devido a dando na estrutura, mas que todos estavam trabalhando arduamente e que tanto o Maiden como o Alice Cooper fariam os shows completos, porém, teriam que atrasar em duas horas do horário oficial. Não preciso dizer que o baixinho foi ovacionado pela atitude de subir ele mesmo ao palco pra explicar tudo. Após os avisos do baixinho, a produtora finlandesa subiu no palco novamente pra dar mais avisos. Disse que infelizmente 40 pessoas tinham se ferido na hora da tempestada e estavam no hospital e 2 em estado grave com ferimentos na cabeça. Mas que todos estavam rezando por eles e a produção do festival estava fazendo o máximo pra torna-lo possivel, assim como as autoridades, mantendo a todos com segurança. Adiaram em uma hora os horários das voltas do trens pra não prejudicar ninguém, avisaram que mudariam novamente caso o tempo mudasse novamente e, caso ocorresse uma nova tempestade, buscassem abrigo nas laterais do lugar.

O Alice Cooper entrou no palco com parte do equipamente emprestado pelo Slayer e sem cortinas de fundo, laterais e frontais, o que tornou meio difícil de ver o show, pois o sol brilhava forte mesmo por volta das 19h30 quando começou o show da tia Alice. Nota 10 pros músicos que superaram todas as adversidades e fizeram um show fantástico e cheio de energia. Nota dez pra produção que trabalhou insanamente pra tornar isso possível.

Ao término do show do Alice Cooper, a galega entrou no palco novamente pra dizer que o show do Iron Maiden, inicialmente marcado pras 20h, aconteceria as 21h45. O que se viu foi um trabalho heróico da equipe de produção pra montar praticamente todo o cenário do Maiden em pouco mais de 1h. Às 22h em ponto, sem as cortinas laterais, frontais e traseiras, se ouviu a introdução de Doctor Doctor, sinal pro começo do show do Iron Maiden, enfim. Bruce entrou com um fôlego superior ao tradicional, mas estava preocupado com a água no palco. Mas, se há uma banda que cresce nos momentos mais difíceis e não se rende e nunca se entrega, essa banda se chama Iron Maiden. Ainda na execução de The Wicken Man, vários roadies subiram ao palco com toalhas. Bem parecido ao que aconteceu em São Paulo em 2008 e 2009, lembram? Bruce, mais uma vez, com extremo profissionalismo, esteve simpático e brincalhão com os roadies e público o tempo todo. Esse show era mesmo especial. No meio da galera, encontrei uns finlandeses que foram muito simpáticos e gentis comigo. Me viram com a camisa do Brasil e falaram que os finlandeses amam os brasileiros e bla bla bla. Pagaram bebida pra mim e etc. Fui tratado como rei, hehe.

Enquanto isso, no palco, se via uma banda dando 200% de si e um público dando 300%. O Wacken que me perdoe, mas, até agora, dos quatro shows que já vi dessa turnê na Europa (perdi apenas o da Suécia), o público finlandês se mostrou, de longe, o mais apaixonado, fiel e animado possível. Todas as músicas foram cantadas do início ao fim. Todos os finlandeses agitavam sem parar, mas cada um respeitando o espaço do outro. Fiquei quase na grade, todo apertado, mas com espaço suficiente pra pular e ver ao show com ótima visão. O público finlandês é apaixonado e honesto. Todo mundo respeita o espaço do outro, mesmo quando se está tão perto da grade. Isso foi fantástico.

Um Bruce Dickinson, visivelmente emocionado (tinha completado 52 anos na noite anterior), disse que era fantástico os esforços da produção, autoridades e do público pra tornar tudo aquilo possível. Sentia muito pelas pessoas feridas no hospital, principalmente as duas em estado grave com ferimentos na cabeça, mas que honestamente, era um dos melhores shows que o Maiden já fez na vida e, ele estava sendo honesto. Quem estava lá viu e sentiu isso. Banda e público. Autoridade e produção. Todos num só. Realmentte um show fantástico. Não sei se superou o meu primeiro, em São Paulo, 2008. Mas, se não superou, foi apenas pelo detalhe de ser o primeiro, pois, esse show finlândes, vai ficar pra sempre na memória. Uma pena que não tenho fotos dele. O casal finlândes ficou de me enviar hoje, mas, não dá pra confiar, né? Mas, aguardemos. O máximo que vou postar pra vocês, são imagens já divulgadas na internet do que lá aconteceu.

Na volta, o jeito foi ir a pé pra estação de trem, cerca de 20 minutos, pois, algumas estradas haviam sido fechadas por causa da tempestade. No caminho, encontrei um brasileio. Já tava pensando comigo mesmo que a Finlândia seria o primeiro lugar ao qual não encontraria um brasileiro. Foi aos 45 minutos do segundo tempo, mas encontrei, hehe. O meu trem que, inicialmente sairia as 23h55 e chegaria em Helsinque às 03h50, teve seu horário alterado duas vezes e acabou saindo apenas às 01h30 com previsão de chegada a Helsinque por volta das 05h40. Outros imprevistos aconteceram na viagem, ainda devido ao caos da tempestade que derrubou árvores ao redor e etc, o trem só chegou a Helsinque às 07h30. Bom que dormi bastante e agora estou ok. São aproximadamente 11h da manhã agora e meu vôo só sai as 18h40. Vou pra Letônia e de lá a Bergen, Noruega, pro próximo show do Maiden, na quarta, dia 11. Espero que o tempo ajude lá, pois, pelo que tive informações, tempestades também prejudicaram o show da Suécia, um dia antes desse aqui da Finlândia, mas, mais uma vez, o Maiden foi heróico e conseguiu fazer o show evitando o cancelamento. É realmente uma banda especial. Talvez essa garra explique tamanha fidelidade, adoração e amor dos fãs com essa banda única e esses seis músicos igualmente únicos e fantásticos. E lá vamos nós ao nosso 5° show dos 11 na Europa, 7º no total. Vejo vocês em Bergen, Noruega. Espero que, com fotos, dessa vez. Up the Irons!!

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free


PS: Moon, to bem, viu? Se preocupe, não. A coisa foi feia, mas me salvei inteirinho. Pode sossegar do lado daí que tá tudo ok comigo.

6 de agosto de 2010

Iron Maiden, Wacken Open Air, Luebeck, Alemanha - 05/08/2010

"Scream for me Wacken. Scream for me Wacken!!!!"

Helsinque, Finlândia

E finalmente eu estava lá. Eu, "Só um brasileirinho contra esse mundão todo", como diria o nosso nobre Rubens Barrichello. Eu, HELLcifense, liso, desempregado, no Wacken e assistindo ao Maiden. Realmente, como diz o blog, "Sonhos que podemos ter...". Ainda quando a gente diz a nós mesmos que não podemos. Enfim, eu vivi isso, a experiência foi fantástica e assumo todas as responsabilidades dessa aventura. Valeu muito a pena. Fiz, faço e farei novamente.







Após o show do Alice Cooper, depois que os caras do Piauí foram pro alto palco ver o show do Motley Crue, fui dar um giro pra ver se achava Arthur, meu amigo, que tocaria no dia no Metal Battle Brazil Stage com sua banda Cangaço. Única representante da terra Brasilis. Mas não o achei. Sendo assim, como o local já estava insuportavelmente cheio com suas mais de 70 mil pessoas, tratei de ir ao banheiro, usando saia (sim, entrei no clima e comprei uma saia. Não, não virei gay. É confortável pra cacete. Quando chegar aí no Brasil, vou usar quando der vontade, assim como faço com minhas bombachas gaúchas e não to nem aí pro que vão pensar, hehe.







Deu trabalho chegar perto do palco. O máximo que consegui, foi um pouco antes da mesa de som e pelos lados. Sempre pelos lados. Mas, ainda assim, não foi lá das melhores a vista. E, o público do Wacken, diferentemente do Sonisphere inglês, é totalmente insano, selvagem e parrudo. Os "alemão" não deixa nós passar não. É dureza. Mas, não posso reclamar da sorte. Lembra da menina inglesa das fotos do Sonisphere Festival inglês? Pois bem, acreditem. A achei no Wacken na entrada e, novamente no show do Maiden. Foi aquela festa. Vimos o show juntos, assim com um simpático inglês amigo dela. Muito gente boa o cara. Me botou até nos ombros. Me deu a mão pra não me perder. Foi um pai. Aquele irmãzão. Ow, cara, muito obrigado pelo carinho. No meio da galera, encontramos outro povo de Israle e México e foi aquela festa. Fiquei encarregado das fotos de novo e, logo após o show, ganhei de presente as mesmas. Oba. Pra quem perdeu a câmera, isso é muito importante, hehe.

O show do Maiden, felizmente, ou infelizmente, seguiu a tradição Maiden de ser. Britanicamente idêntico aos de Dublin, Irlanda e Sonisphere, Inglaterra. Com diferença do público, claro. Público totalmente selvagem e insano do Wacken. Quem não se empolga lá, não se empolga em mais lugar algum. O Maiden insiste em tocar nessa curta pré-turnê do novo álbum, apenas músicas dos três últimos álbuns pra provar quem não vivem só do passado. E a galera reage bem às músicas novas. Muito bem. Mas, sem chances. Os clássicos são os clássicos e quando os tocam, ainda que batidos como as tradicionais e batidas Number of the Beast, Halloweed be thy Name, Fear of the Dark e Iron Maiden, todo mundo esquece da mesmice e enlouquece. Inclusive, esse que vos fala. E lá se foi meu terceiro dos dez show do Maiden nessa maluca turnê pela Europa e, no total, meu sexto do bom e velho Iron Maiden. Ui. Número seis!!

Uma banda dando 110% de si prum público que deu 111%. Banda e público, igualmente esgotados e felizes. Lá fomos nós, eu, a inglesa e o inglês amigão, cantando "Always Look on the Bright Side of Life", rumo às barracas pra lá descarregar o cartão de memória. Muito simpático e bacana esse pessoal. Os guardarei no coração. Após isso, corri pra pegar o trem pro aeroporto de Hamburgo que ficava a cerca de 2h de Luebeck, onde tava acontecendo o Wacken. Mas, não havia mais, pois já passava das 0h. Agora, só na sexta pela manhã, a partir das 7h. Como meu vôo era apenas as 13h40, rumo a Helsinque, Finlândia e o povo bacana do Piauí me ofereceu barraca caso não conseguisse transporte, eu tava despreocupado. E assim foi. Tive que voltar pra barraca cedida pelos caras, pois só havia táxi pro aeroporto e custava a humildade de 105 euros. Salvaram minha vida, o povo do Piauí, visto que, após o show, o Wacken Open Air se transformou no Wacken Ice Air. Tava frio pra caralho. Tão ou mais como na primeira vez que fui à Inglaterra ver o Download Festival no comecinho de junho. Se não fez cinco graus, chegou perto. A gente falava e saia vapos da boca. Eu ainda tinha o saco de dormir, pra sorte e a barraca dos caras. Botei duas camisas, jaqueta, impermeável, saco de dormir e ainda assim fui dormir tremendo de frio. O povo do lado, mais gente do Brasil, Teresina, São Paulo e afins, eram engraçados pra caralho e foi difícil dormir com as piadas dos caras, hehe. Eu tentava dormir, mas me abria de rir sozinho dentro da barraca. Saí e tirei uma onda com os caras e fui procurar um lugar pra tirar água do joelho. Engraçado fazer xixi com seu pinto congelando e saindo fumacinha do dito cujo quando está a fazer o exercício fisiológico, ehhe. Voltei pra barraca, congelando, dormi tres horinhas e acordei, morto de sono e congelando de frio com o celular no meu ouvido. Lavei a cara com água congelante e fui rumo ao trem congelando de frio. Sozinho. O Wacken inteiro dormia. Silêncio total. Eu e o som dos meus passos, apenas. Nada de trem. O caminho era a porra do táxi de 105 euros ou um mesmo táxi por 30 euros até a estação mais próxima e de lá, um trem de 12 euros e, finalmente, um metro de 1,30 até o aeroporto. Dei sorte de achar um americano do Texas. Tava indo pro aeroporto também e demos sorte. Dividimos tudo. Após duas horas de viagem, chegamos ao aeroporto. Comemos, fizemos o check in e cada um foi pro seu lado. Muito bacana o texano.

Fiz meu check in e fiquei esperando firme e forte no portão de embarque rumo à Letônia, aeroporto de Riga. Sim, não são só vocês que não sabiam que esse país e essa cidade exisitiam. Muito menos o aeroporto. Pesquisando no Google, meste dos burros, vi que é um paizinho bem pequeno na Europa. Com muita ascendência de russos no seu povo. Povo bonito, hein. Passei só duas horas lá, esperando a conexão e me apaixonei por todas as mulheres que vi. A mais feia era linda. Pena que não podia trazer nenhuma aqui pra Finlândia. Peguei o avião mais vagabundo que voei na vida. Um Fokker 50. Acham os vôos da Gol apertados? Experimentem diminuir o avião pela metade e, consequentemente o espaço que já é ruim. Tire também as turbinas e ponha hélices. Esse era o Fokker 50. Sou um cara pequeno de 1,70m e de 55Kgs. Ao meu lado, um pequeno finlândes de 2m de altura por uns 2m de largura. Foi de longe a viagem mais "confortável" da minha vida. Ainda bem que durou menos de 2h.

Chegando na Letônia, aeroporto de Riga, apesar do povo ser tão lindo, do lixeiro ao comissário, fazia um calor dos diabos. Não sei se o ar condicionado do aeroporto tava quebrado ou não existe mesmo. Nunca vi um lugar tão quente desde a estação de ônibus de Madri que é um inferno. Minha estadia foi breve mas custosa. Usam um moeda própria e uma língua própria, mas, pra minha sorte, falavam ingles e aceitavam euro. Tava com uma dor de cabeça dos diabos e surdo da turbina. O jeito foi gastar os 10 euros e comer razoavelmente bem. Ao menos tem comida até amanhã de manhã, sábado, dia 07 de agosto. Vou achar o albergue, dormir o dia todo e de lá, me viro pra ver como chego em Pori, outra cidadezinha aqui na Finlandia onde vai ser o Sonisphere Festival e o Maiden, claro, vai tocar. Só sei que tenho tempo suficiente pra ir e voltar, mesmo sendo um longo caminho, como o do Wacken. Próximo lugar, Noruega. Mas, vamos por partes. No momento, to falando com vocês do confortável, grande e silencioso aeroporto de Vantaa, Helnsinque, Finlandia. As pessoas que tem passado por mim, ao menos até agora, são lindas. Me olham como um alien. Não sei se é porque não sou loiro ou porque ainda to de saia. O que importa é que, até agora, tem me tratado bem. Vou ficar usando a internet rápida e de graça do aeroporto aqui até amanhecer e ir pro albergue. Aqui, agora, são 22h e agora, me despeço, pessoas. Tudo de bom e Up the Irons!!

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free



PS: Dedico esse post, sem sombra de dúvidas ao povo do Piauí que me acolheu com tanto carinho e a inglesa e o inglês gente boas. Brigadão povo. Tudo de bom pra vocês e cuidem-se.

Wacken Open Air, Luebeck, Alemanha – 05/08/2010

“Não tenho dinheiro no bolso, eu não tenho nada. Apenas um lenço molhado de lágrimas...”

Helsinque, Finlândia

Após todos o contra-tempos (tem hífen?) que aconteceram no Sonisphere Festival, no Knebworth Park, como câmera, camisas e vôos perdidos, as coisas tinham que dar certo dessa vez rumo ao Wacken, maior festival de heavy metal do planeta. Pra ser honesto, depois de tudo que já passei, eu simplesmente não penso em nada negativo e, se vier a acontecer de novo, paciência. Mantenho a calma e resolvo. Tem sido assim e espero que continue. Desde que a única pessoa que amei na vida me traiu de uma forma chocante. Mas, quis a vida que isso fosse um motivo pra eu finalmente deixar de chorar e resmungar pelos cantos e passar a encarar as coisas de forma mais adulta. Como ela mesma tanto pedia, deixei de ser uma criança e me tornei um homem. Obrigado, pessoa ruim. Foi por causa da sua maldade que finalmente reagi às coisas ruins e mudei radicalmente minha forma de lidar com tudo. Obrigado, pessoa ruim. Você me transformou numa pessoa muito mais forte que não desanima nem se entristece mais com nada. Obrigado pessoa ruim. Você matou alguém que não era ruim, mas frágil e fez nascer uma espécie de super-homem (tem hífen?). Obrigado pessoa ruim.







Saímos correndo ao final do show do Maiden no Sonisphere Festival, Knebworth Park, Stevenage, Inglaterra, pra pegar o ônibus gratuito do festival que nos ligava a estação de trem de Stevenage. Pouco menos de 10 minutos de viagem pra pegarmos um trem de aproximadamente 20 minutos rumo a estação de ônibus de London Bridge e de lá, nos ligar a estação de trem pra, finalmente, chegarmos ao aeroporto de Gatwick, Londres, Inglaterra, rumo a Hamburgo, Alemanha. Hamburgo, pois era a cidade mais próxima de Luebeck, onde aconteceria o Wacken. Felizmente, tudo certo no vôo de cerca de 1h30 de Londres a Hamburgo. Dessa vez, consegui até dormir, já que, como devem ter percebido, passei a madrugada viajando de ônibus e trem pra chegar a tempo no aeroporto e não dar chance ao viado do azar me abraçar por trás novamente. Chegando a Aeroporto de Fuhlsbuttel, Hamburgo (terceira cidade da Alemanha nessa minha viagem maluca, já que havia passado anteriormente por Berlim e Stuttgart, ainda que, essa segunda, apenas pra fazer uma conexão), lá fomos nós ao nosso, já então, lugar comum, “Tourist Information”. Felizmente, apenas uma mudança de trem pra chegar à estação de destino, rumo ao albergue. Facinho, barato (cerca de 2 euros) e rapidinho (cerca de 20 minutinhos) dessa vez. Mas, achar o albergue não foi lá tão fácil. Penei cerca de 1h, mas, perguntando aqui e ali, achei o infeliz. Mais parecia um hotel, já que eram 7 andares com uns 20 quartos por andar que tornava o lugar um verdadeiro labirinto. Tava tão cansado que, a única coisa que quis fazer na segunda, foi tomar um longo banho quente, comer algo e dormir. E assim o fiz por cerca de 16h. Nada mal. Na manhã de terça, a missão era achar um supermercado pra comprar comida suficiente pra terça, quarta e quinta, já que esse albergue não oferecia café da manhã e cobrava 4 euros pelo mesmo. Que feio! Pelo mesmo valor comprei comida pra 3 dias, incluindo, minhas recentes e inseperáveis amigas de economia: bananas. Mas, encontrar a porra do supermercado foi quase uma missão impossível. Até perguntei aos cinco alemães bagunceiros que dividiam o albergue comigo, mas não entendi picas. Demorei cerca de 2h pra achar não um só, mas uma rua inteira deles. Tava com tanta fome que antes, tive que apelar pro McDonald’s, mesmo A rua dos supermercados ficava logo atrás da McDonald’s, mas, o idiota aqui, só encontrou depois, claro. Ow, Júnior!!







Comida comprada, finalmente de volta ao albergue pra tomar outro looongo banho quente, comer bem e passar horas e horas traçando os próximos detalhes das próximas viagens (não tava quente em Hamburgo, a propósito. Tava friozinho. Uns 15 graus), rotas a traçar, custos, aeroportos, trens, ônibus, horários, contas a pagar, mãe pra falar, a putaria de sempre que, amanhã, já completa dois meses e ainda tem mais 1 mês e meio pela frente. Os dois primeiros passaram muito rápido e, honestamente, espero que esse mês e meio restante, passe igualmente rápido. Ok, é divertida essa minha viagem solitária completamente maluca e sem noção pela Europa, mas envolve muuuitas informações pra uma pessoa só. E sempre sozinha, como eu. Sou eu, eu mesmo e eu de novo. É divertido, mas cansativo e maluco. Muuuitos quilômetros caminhados a pé, noites sem dormir, economia máxima com alimentação, albergues e transportes, etc. Mas, fui eu mesmo que escolhi isso, então, agora, eu vou até o fim. Não tenho do que nem a quem reclamar. Vamos lá que conseguimos!!

Após horas e horas em frente ao notebook, me permiti um pequeno passeio por Hamburgo a noite. Saí pouco depois das 0h, tempo suficiente pra pegar o último metrô. Reeperbahn era o nome do destino da vida noturna da cidade. Já sabia que lá era bem famoso por ser o distrito da rua vermelha, centro da putaria na cidade, com as famosas prostitutas em vitrines como em Amsterdã, Holanda. Mas, nem só de putaria vive o bairro, já que lá é o mesmo local de vários bares. Foi, inclusive, a primeira vez que os Beatles tocaram foram da Inglaterra. Foi lá que começou a Beatlemania, inclusive, há um monumento na praça em alumínio, em homenagem aos caras. Cada silhueta de alumínio simbolizando um integrante. Coincidência ou não, o Brasil inteiro estava lá, hehe. Nunca me senti tão em casa como nessa viagem, hehe. Não eram um ou dois, eram mais de vinte cuecas brasileiras, todos no mesmo bairro da putaria, hehe. Fui encontrar lá, meu amigo Arthur, convidado especial e único representante do Brasil a tocar no Wacken com sua banda, Cangaço. Um feito histórico pra eles. Parabéns. O mais importante, sem pagar nada, sem ganhar também, mas com toda viagem paga. Tem orgulho maior? Há uma música do Maiden que se chama “22 Acacia Avenue” que conta uma história de todos os homens que, acabam, cedo ou tarde, pagando pelos “serviços” desse tipo de lugar ao menos uma vez na vida. Como diz uma parte da música: “There’s the place where we all go...” Após horas de tiração de onda, poucos se dispuseram a pagar mais de 250 euros pra “conhecer” as “moças” das vitrines, hehe. Sem maldade, mas ao mesmo tempo com maldade, a maioria tinha apenas uma escolha, ou comia as moças ou comia comida nos próximos dias, hehe. Nessa minha viagem econômica ao extremo, isso me sustenta por uns 20 dias, então, eu tinha uma escolha, ou comia, dormia e me transportava ou...entenderam, né? Hehe.

Aos poucos, cada um foi pro seu lado e, como é o caminho natural da minha viagem, fiquei só. Tive que esperar até as 5h da manhã, hora do início do metrô, pois não podia me dar ao luxo de pagar cerca de 15 euros pra voltar ao albergue de táxi e assim o fiz. Mas, esperei pouco mais de 1h e resolvido. Apenas 1,30 euros. Boa economia. Cheguei cerca de 6h, já da quarta, tomei meu banho, comi e lona. O plano era acordar tarde e, logo cedo, na quinta, pegar o transporte pra Luebeck, cidadezinha perto de Hamburgo onde aconteceria o festival. Cerca de 2h de trem e ônibus ou quase 100 Km. Lá estava na noite de quarta no hall do albergue passando o tempo quando apareceu uma mulher me perguntando se eu ia pro Wacken. Disse que sim, mas apenas na manhã do dia seguinte. Ela falou que tava indo naquela hora (madrugada de quarta pra quinta, cerca de 2h da manhã) e, que se eu quisesse ir, tinha espaço no carro dela. Perguntei quanto, ela disse que era de graça. Como bom brasileiro, fiquei desconfiado, mas fui. Subi pro meu quarto, arrumei minhas coisas, fiz o check out e lá fui com a maluca. Temak o país da figura. Perto da Suécia. Nem sabia que existia. Antes que me perguntem, não, eu não comi. A mulher era o Satanás. Dois metros de altura por uns dois de largura e fedia como o alemão hippie-peidão da nossa curtíssima viagem de 14h30 de Barcelona a Zurique, lembram? Mas, ao menos a monstra me deu uma ajudona, não é? De carro, o caminho foi feito em 1 ao invés de 2h e de graça, ao invés de cerca de 20 euros. Era fã do Maiden e fomos ouvindo o The Number of the Beast na íntegra. Boa trilha sonora pra uma viagem pelas famosas autobahns alemãs a 120 Km/h. Pura aventura. Ainda deu tempo de ouvir as três primeiras músicas do The X Factor. Nada mal. O negócio era que, como chegamos lá por volta das 4h da manha, eu teria que dormir, já que não tava descansado pra esperar 12h pelo primeiro show da quinta, por volta das 16h, e não teria energia pra tanto, já que teria que virar a noite seguinte pra sair direto do show do Maiden rumo ao aeroporto pra, infelizmente, sacrificar dois dias do Wacken, pra seguir rumo a Finlandia, seguindo o Maiden na sua turnê européia de aquecimento pro novo álbum, The Final Frontier que será lançado no dia 16 desse mês. Como tinha guardado o saco de dormir da Inglaterra, me ensaquei dentro dele com mochila, pedi ajuda aos meus amigos apraz e aprazolan e dormi por ali mesmo. Torci pra não chover, fechei os olhos e desliguei a cabeça. Acordei por volta das 12h com um bando de bêbados do mundo todo passando ao lados das barracas gritando “Waaaacken” (foi o que mais se ouviu durante o dia...). Dei um tempo, fui ao benheiro, comi e lá fui eu pra meus 20 minutos de caminhada pra chegar aos palcos. No caminho, achei um pessoal bacana do Piauí e acabaram me fazendo companhia. Muito bacana o pessoal. No caminho, achei a maluca inglesa que conheci na Inglaterra que me cedeu as fotos da câmera dela que me pediu pra tirar as mesmas, porque ela não sabia usar a câmera, hehe. Sorte a minha, hehe. Entrei com os caras do Piauí e lá ficamos esperando o primeiro show grande do dia no palco principal: Alice Cooper. A tia Alice fez um típico show ao seu estilo. Bem teatral, bem divertido. Cheio de efeitos. Meio vagabundos, verdade, mas super bem-bolados e divertidos. Conseguiu levantar o selvagem público do Wacken. Europa toda lá. Muita gente do Brasil. Muita gente maluca, como sempre e claro, muitos bêbados, hehe. Foi meio irritante assitir a esse show, porque não parava de vir gente surfando por cima de você o tempo todo. Quando se menos esperava, lá vinha mais um viado e tome pesada na sua cara distraída. Tiveram poucas, mas corajosas meninas que fizeram o mesmo. Não preciso dizer que a galera não perdoava, né? Quando tavam de saia então...bem, era dedo até o útero das corajosas. Bem, vocês entenderam...

E assim se seguiu até o fim do show do Alice Cooper. Logo após, no segundo palco, o Motley Crue tocaria. Como não gosto da banda, assim como no Sonisphere Festival da Inglaterra, no Knebworth Park, não fiz muita questão de ver nada além de momentos dos shows. Os caras do Piauí, porém, queriam ver e assim, nos separamos e combinamos de nos encontrarmos depois do show do Maiden na barraca. Falaram que podíamos nos encontrar no show do Maiden, onde estávamos no Alice Cooper, relativamente perto do palco, mas eu falei que era impssível. Não deu outra. O lugar super lotou e chegar num local visível do show deu trabalho. Muuuito trabalho. Mas isso fica pro próximo post, claro, exclusivo sobre o show do Maiden no Wacken. Maior banda de metal do planeta no maior festival de metal do mundo. Útil ao agradável.

PS: Escrevi esse texto entre três países diferentes. Comecei a escrever quando ainda estava no aeroporto de Hamburgo, na Alemanha. Depois, mais um pouco no vôo, depois, em Riga, na Letônia, onde fiz uma conexão e, finalmente, aqui em Helsinque, Finlândia, de onde falo com vocês agora. Como o aeroporto é quieto, a internet wi-fi é ótima e de graça, tive a brilhante $$ idéia de passar a madrugada aqui e só ir pro albergue amanhã e, assim, economizar 25 euros. Fico falando com vocês aqui que o tempo passa mais rápido.

3 de agosto de 2010

Iron Maiden, Sonisphere Festival, Knebworth Park, Stevenage, Inglaterra - 01/08/2010

"I see the ghost of navigator, but they are lost. As the sell into the sunset, but I cut the cost. As the skeletos acusing, emerge from the sea, the silents of the rocks, they're become me..."

Hamburgo, Alemanha

E eis que após tantos imprevistos e coisas ruins na minha viagem de Dublin a Stevenage, Inglaterra, Knebworth Park, onde aconteceria o festival que, pra mim, se resumia ao Iron Maiden, finalmente era chegada a hora do segundo show do Maiden na Europa da Final Frontier World Tour. Seria meu quinto show do Maiden, segundo nesse anos que, religiosamente, seguirei a banda por todos os shows europeus, com excessão da Suécia, onde não consegui ingresso, mas, quem já tá maluco como eu to nessa viagem, não duvido de mim mesmo se botar na cabeça e inventar de ir de última hora. Nunca duvide de um louco. Não sou Ozzy, mas sou maluco. Quanta diferença do show da Inglaterra pro da Irlanda. Talvez, por questão de tamanho, não sei. Mas a verdade é que o show na terra natal dos caras foi bem inferior ao da Irlanda. Uma pequena decepção. Não por parte da banda que, por mais uma vez, deu 100% de si no palco, mas sim pelo público. Único show do Maiden em solo inglês e, apesar da multidão de quase 60 mil pessoas, o que se viu foi um público apático.







Muitas vezes, Bruce deixava o refrão pra galera cantar e, muito tímidas era a resposta da população que ali assistia o festival. Não sei se é impressão minha, mas, estes grandes festivais de verão europeus, mais parecem uma celebração, festa do que realmente um festival de celebração às músicas das bandas em si. É claro que não faltam fãs fiéis, doentes, que viajam o mundo pra ver as bandas, mas, infelizmente, há uma grande maioria que vai apenas pela festa. A diversão de acampar, beber, enfim, sair do armário. Infelizmente, o Maiden manteve o set de sempre e, começo a me preocupar que não tocarão Pashendale que tanto amo e que fiquei tão feliz por terem tocado em revesamento com a Dance of Death (que também amo), durante os primeiros shows dessa turnê, em solo americano. Talvez, tenham sentido que o público se mostra mais animado com a Dance of Death em relação à Pashendale, mas, a esperança é a última que morre e, sigo esperando que toquem essa música ao menos uma vezinha. Ainda tenho 8 shows pra ver nesta turnê. Por favor, Steve Harris, uma vezinha só, manda Pashendale pra gente, vai. Mesmo esquema com a Brighter Than a Thousand Suns que, definitivamente, deu lugar a Wrathchild. É uma música batida, mas, indiscutuvelmente melhor que a Brighter Than a Thousand Suns e que, ao vivo, funciona muuuito bem, inclusive funcionou no Parque de Knewbworth, Sonisphere Festival no último domingo pro apático público inglês.







Eu, era um solitário e saltitante brasileiro no meio dum bando de ingleses estáticos que olhavam sorrindo com minha animação. Puta que o pariu pra eles. Só eu sei o que sofri, tenho sofrido e continuarei sofrendo pra tornar real essa viagem maluca de quase quatro meses, onde tenho passado dias sem dormir, andando que nem condenado, absorvido milhões de informações sobre fuso-horários, línguas, aeroportos, estações, paradas, metrôs, trens, ônibus, aviões, albergues. Me sinto em turnê, mas sem ninguém pra me guiar. Estou sempre sozinho. Tantos cidades, países, bairros, sempre tendo que me virar sozinho pra descobrir como chegar em cada um dos lugares. Tudo por amor ao Maiden, seguindo os caras. Será isso amor ou doença? Loucura? Um pouco de tudo, creio eu. Tudo ao mesmo tempo agora.

Após quase duas horas de show, o Maiden se despediu do apático público inglês.Nenhum pio a falar da banda que, no palco, foi mais uma vez, Iron Maiiden. 100% de energia e dedicação, apesar duns errinhos aqui e ali. Mas, outro show poderoso. Que venha o terceiro show dessa turnê, no maior festival de heavy metal do planeta, o Wacken Open Air, na Alemanha. No momento, estou falando com vocês do albergue de Hamburgo, Alemanha, que é a cidade mais próxima de Luebeck, uma cidadezinha que é onde fica a fazenda que recebe o festival. Fica a cerca de 1h30 daqui ou oitenta e poucos quilômetros. Já tem metaleiro de todos os lugares do mundo aqui no albergue. Uns, quietos como eu, outros, festeiros e passam o dia bebendo e falando alto, hehe. Enfim, acho que ficarei quietinho aqui hoje e amanhã, pois, quinta pela manhã, logo após fazer o check out do albergue, é hora de viajar de novo rumo ao Wacken e ver o Maiden mais uma vez. Com direito a Doro e Alice Cooper no mesmo dia. Oba!! Sobreviverei? Assim espero. Up the irons!!

Set List

01. Intro: Doctor Doctor/The Blade Runner - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free