3 de outubro de 2010

Pouca Vogal, Teatro da UFPE, Recife, Brasil - Parte II - 02/10/2010

"Somos o que há de melhor. Somos o que dá pra fazer. O que não pra evitar e não se pode escolher..."

Recife, Brasil

Honestamente não me importo de sair sozinho, principalmente quando vou assistir aos shows das minhas bandas preferidas. É um negócio pessoal. Sozinho, posso observar tudo da minha forma sem ninguém ao lado distraindo minha atenção. É sempre bom estar com amigos, é claro, mas shows pra mim são sagrados. Uma viagem pessoal. Preciso de solidão. Como diz uma canção dos mesmos Engenheiros: "Tô fora, sigo o meu caminho, às vezes tô sozinho, quase sempre tô em paz..."

Sendo assim, sozinho, lá fui nessa noite de sábado, dia 02 de outubro de 2010, véspera de eleições. Históricas, eu diria. Mais um presidente. Talvez a primeira presidente mulher na história do país. Deixemos a política de lado e voltemos ao show. Teatro lotado. Ótimo sinal. Não faço a mínima idéia de quantas pessoas compareceram ao show do Pouca Vogal, mas, no puro chutômetro, diria que entre 3 e 5 mil pessoas tiveram o privilégio de ver e ouvir esse excelente projeto do Humberto Gessinger e do Duca Lendecker. Esses caras são genias. Sim, não há outra palavra pra descreve-los. O Duca, com sua linda e suave voz de veludo, toca violão, guitarra, pandeiro e bumbo. Sim, tudo isso ao mesmo tempo. Pra não deixar de lado, o Humberto consegue superar isso, além de cantar, o desgraçado toca gaita, violão, guitarra, midi pedalboard que nada mais que é um teclado de pé que usa todos os sons que vocês podem imaginar, baixo, teclado, piano, o caralho. E, pra completar, ainda tem os teclados normais e a harmônica. É muito, mas muuuito interessante e impressionante como apenas dois caras tocam tantos intrumentos ao mesmo tempo. Incrível. Por isso, não há outra palavra pra descrever esses caras que não geniais. Não é exagero dizer que certos músicos estão num outro nível. Não são pessoas normais. Literalmente. Há uma magia especial nesses seres.




Com um simples, porém lindo e de muito bom gosto, o cenário com sua igualmente linda iluminação, apresentava um enorme pano de fundo com os ('') símbolo do Projeto Pouca Vogal, parênteses e apóstrofos em cores azul claro e branco, clara aluzão ao amado time de futebol de Humberto Gessinger, o Grêmio Porto Alegrense. No palco, um sempre bem-humorado Humberto Gessinger brincava com o público dizendo que naquela noite, eles iriam tocam muita coisa das bandas preferidas deles, Britney Spears e Lady Gaga, pra risos espôntaneos de um público fiel. Mais na frente, mais brincadeiras, o Humbertão dizendo que nós, pernambucanos, seríamos bem-vindos em Porto Alegre e, eles gaúchos, apesar de terem fama, não mordiam. Ou melhor, às vezes mordiam. Mais risos. Inclusive os meus. O Duca, com toda sua timidez, pouca falava, mas muito sorria.

Os imortais clássicos dos Engenheiros do Hawaai não faltaram, claro. Terra de Gigantes, Infinita Highway, Refrão de Bolero, Somos quem Podemos Ser, Piano Bar, Parabólica, etc. E claro, coisa nova do Pouca Vogal como Depois da Curva (linda música pra abrir um show, por sinal), Breve, Dia Especial, Pinhais, Ao Fim de tudo, etc. Um show de pouco mais de uma hora e meia com dois bis. Simples, sem frescura. Apenas dois grandes músicos e várias grandes músicas e, porque não, um grande público e apaixonado público pernambucano ilustrando um ótimo show.

Grandes shows, nem sempre precisam de uma produção magalomaníaca. Às vezes, esses pequenos shows, sem muita frescura, apenas os músicos o público e a música, como deveria sempre ser, são muito mais nostálgicos e impressionantes que qualquer mega-produção. Que adiantar ter uma produção fantástica se a música acaba sendo apenas fachada, né U2? Esses dois gaúchos, com seus tentáculos, tocando 700 instrumentos cada, conseguem, apenas por eles mesmos e com toda sua sensibilidade emocionar a todos apenas com a essência da sua música. Fantástico show. Simplesmente Pouca Vogal. Que venha o próximo e quem, em breve, com o Engeheiros do Hawaii saindo do coma. No próximo ano, haverá o Rock in Rio IV. Na primeira edição do festival, em 1985, a banda fez seu primeiro show. Na segunda edição, em 1991, se apresentaram no seu auge. E na terceria e última edição, em 2001, lá estavam eles novamente. No próximo ano, uma reunião da formação clássica a caminho? Um passarinho contou? Quem sabe?

PS: A quem não conhece, indico o livro do Humbertão "Pra Ser Sincero". http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5088689&sid=87781116512916595916514374&k5=10D449C5&uid= Pode ser encontrando nas melhores livrarias. Quem quer reviver os tempos clássicos da banda, há este blog feito por um fã com bastante material clássico da banda: http://enghawforever.blogspot.com/

Pouca Vogal, Teatro da UFPE, Recife, Brasil - 02/10/2010

"Na verdade nada é uma palavra esperando tradução..."

Recife, Brasil

O nome desse blog surgiu de uma canção do Engenheiros do Hawaii, escrita pelo genial Humberto Gessinger chamada "Somos quem podemos ser". O refrão diz: "Somos quem podemos ser...sonhos que podemos ter..." Isso tudo tinha a ver com a proposta do Blog que era relatar que nós podemos sonhar e realizar nosso sonhos. Não importa o quão difíceis e impossíveis eles sejam. Acreditando em si, pode-se tudo. Principalmente o impossível.

Hoje, tive o privilégio de, dezoito longos anos depois, assitir a um show desse gaúcho genial com o seu novo projeto chamado "Pouca Vogal" em parceria com o também gaúcho Duca Leindecker, enquanto o Engenheiros do Hawaii está em coma no momento. O primeiro show, no auge do Engenheiros do Hawaii, na turnê do álbum verde, Várias Variáveis, em janeiro de 1992 no estacionamento do Shopping Center Recife, foi o primeiro show de uma banda que fui na vida. Tinha apenas nove aninhos de idade e fui com um primo mais velho na época. Sendo assim, foi mais do que especial este show. O primeirão.

Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece e, assim foi com o Engenheiros do Hawaii. Estávamos no final de 1990 e eu, então com apenas oito aninhos, ouvi no rádio uma música chamada "Era um garoto que como eu amavas os Beatles e os Rolling Stones" e logo me apaixonei. Paixão a primeira ouvida. Eles tavam acabando de lançar o clássico "O papa é pop", e essa música, releitura dos Incríveis estourou na época e fez a banda estourar de vez no país. Passei a amar uma banda pela primeira vez na vida. Colecionar os então LP's, revistas, K7 e etc. Apesar de ainda ser muito criança e não compreender a complexidade de uma letra dos Engenheiros do Hawaii, algo aquela banda tinha de especial para mudar a vida daquele eu guri de oito aninhos de idade, hehe. Me pegou em cheio. Me atingiu como um trovão.

Os anos se passaram e o fã mirim só ficou mais e mais apaixonado pela banda. Acompanhei em tempo real os lançamentos da trilogia e, de longe, melhor fase da banda: O papa é pop, Várias Variáveis e Gessinger Licks & Maltz. Vi pela TV em transmissões ao vivo, dada minha pouca idade, os históricos shows no Rock in Rio II de 1991 e Hollywood Rock de 1993. Além do, já citado aí em cima, primeiro show ao vivo em 1992. Depois disso, veio o ano de 1993, o lançamento do ao vivo Filmes de Guerra, Canções de Amor, houve divergências na banda e a clássica formação do trio: Humberto Gessinger, Augusto Licks e Carlos Maltz se desfez. A banda nunca mais foi a mesma. Fiquei bem triste na época e deixei de acompanhar. Meu último álbum foi o "Simples de Coração" de 1995 já com outra formação. Mas ainda preservando o Carlos Maltz. Este é um excelente álbum, mas não tem mais a mágica do trio. Nessa mesma época, conheci o Iron Maiden e meu amor pelo Engenheiros do Hawaii foi abandonado. Traí os gaúchos, me apaixonei por uma outra banda. Me senti mal na época, mas, fazer o que? Acontece. Pela primeira vez na vida, entendi que o amor, se não acaba, às vezes, se distrai com uma nova descoberta, hehe.

Os anos se passaram, meu amor pelo Iron Maiden cresceu e superou o dado então ao Engenheiros do Hawaii. Cresceu enormemente e o amor virou religião, estilo de vida, matrimônio. Me casei de corpo e alma com a lenda inglesa do heavy metal e traí o meu primeiro amor, os gaúchos dos Engenheiros do Hawaii. Enquanto meu amor pelo Maiden crescia e se tornava sério a ponto d'eu conhecer todos os álbuns, singles, vídeos, livros e me tornar um expert no assunto, o interesse pelos Engenheiros diminuiu a ponto d'eu deixar de acompanhar a banda. Só fui voltar a ouvi-los nos idos de 2005 quando a banda já tinha gravado os últimos quatro álbuns de estúdio com novas formações: "Minuano", "Tchau Radar", "Surfando Karmas & DNA" e "Dançando no Campo Minado". Fiquei, honestamente, bem decepcionado com os álbuns atuais. Não que eles fossem ruins, pois essa é uma palavra que não existe na música da banda, mas pra quem, literalmente cresceu ouvindo "O Papa é Pop", "Várias Variáveis" e "Gessinger, Licks & Maltz" é uma tremenda diferença ouvir estes últimos álbuns da mesma forma.

Porém, resolvi considerar meu primeiro grande amor e decidi ouvir os últimos álbuns com mais atenção e o amor foi voltando, ressurgindo. Há muita coisa boa neles. Não é brutalmente clássico e genial como a trilogia, mas, a genialidade parida por Humberto Gessinger, lá continua. No começo do ano, em março, fui acompanhar os shows do Guns N' Roses em São Paulo e no Rio e decidi prolongar minha viagem e realizar um desejo antigo, conhecer Porto Alegre, terra do Humbertão. Haveria um show do Dream Theater lá, logo depois do Guns N' Roses no Rio. Por sinal, o Guns também tocaria em Porto Alegre no mesmo dia do show do Dream Theater. Decidi abrir mão do Guns, pois já havia os visto e ver o Dream Theater. Mas a verdade mesmo é que eu queria muito mais conhecer Porto Alegre que ver o Dream Theater. Uni o útil ao agradável e lá fiquei, na capital gaúcha, por pouco menos de uma semana. Voltei de lá com o CD e o DVD do Pouca Vogal e livro do Humbertão, "Pra ser sincero". Meu amor voltou. Meu interesse idem. Foi um grande privilégio assistir ao show do Pouca Vogal hoje a noite por todos esses motivos. Vamos falar melhor desse concerto no próximo post.

29 de agosto de 2010

Chegou a hora...de voltar

"Times have changed and times are strange. Here I come, but I ain't the same. Mama, I'm coming home. Times gone by seems to be. You could have been a better friend to me. Mama, I'm coming home..."

Barcelona, Espanha

E chegamos (vivos!) ao nosso último post aqui no velho continente. Hoje, dia 30 de agosto, segunda, é o meu último dia aqui na Europa. Falo da casa do meu amigo Calumby aqui em Barcelona, Espanha. Engraçado quantas vezes estive aqui. Foi sempre o meu porto seguro. Especial, Barcelona ficará pra mim. Foi a primeira cidade da Europa que conheci e a última antes de retornar. Tantas vezes fui e vim de países e cidades, de viagens e festivais e sempre, voltava pra cá, meu porto seguro. Por esses motivos, Barcelona e Espanha, ficarão guardadas num lugar especial aqui do pulsante. Nesses três meses de idas e vindas, me acostumei ao povo espanhol, aos costumes, aos cortes de cabelo de cachorro de alguns, aos catalões rabujentos e mau-humorados, às moças bonitas, o idioma muito feio (desculpem, hehe), o calor infernal (ontem fez 43 graus aqui), o excelente transporte (ônibus e metrô), que eu aprendi a dominar, as ruas, vias, praças, enfim. Me acostumei aos carrões nas ruas aos montes. Me acostumei às belas paisagens. Barcelona é sim, uma cidade linda, quente, bacana, ótima pra se conhecer, se viver, comer, conhecer gente. Se alguém me pedir sugestões pra onde ir numa viagem, não pensarei duas vezes antes de sugerir Barcelona. Aos que conhecem, devem concordar comigo, aos que não, podem inclui-la no seu roteirinho de próxima viagem.

Vivemos muitas aventuras nessa minha louca viagem que durou três meses. Saímos do Brasil no dia 07 de Junho de 2010 e estarei de volta, na próxima quarta-feira, dia 01 de setembro. Deixamos o Brasil, Recife e fomos rumo a São Paulo, nosso primeiro destino antes de deixar o país. Nos meses seguintes, estivemos num total de 15 países (Brasil, Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Finlândia, Hungria, Inglaterra, Irlada, Itália, Letônia, Noruega, Portugal, Romênia e Suíça) e 32 cidades (Recife e São Paulo no Brasil, Berlim, Hamburgo, Wacken e Stuttgart na Alemanha ;Bruxelas e Hasselt na Bélgica, Barcelona, Bilbao, Girona, Madri e Valência na Espanha, Paris na França, Helsinque, Tampere e Pori na Finlândia, Budapeste e Biharkeresztes na Hungria, Derby, Londres e Stevenage na Inglaterra, Dublin na Irlanda, Roma, Udine e Veneza na Itália, Riga na Letônia, Bergen na Noruega, Lisboa em Portugal, Cluj-Napoca e Timisora na Romênia e Zurique na Suíça. Fizemos 27 viagens de avião, 15 de trem e 2 de ônibus. Conhecemos lugares históricos da humanidade como o muro de Berlim, Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Torre de Londres, London Eye, Big Ben, London Bridge, Hyde Park, Notting Hill, Reeperbahn, Praça Espanha, Praça Catalunya e tantos outros. Vimos 64 shows, totalizando 21 dias de apresentações em que estive presente nos maiores e mais famosos festivais de rock do mundo como o Download Festival no igualmente histórico autódromo de Donington Park (tão especial pra nós, fãs de automobilismo e de Ayrton Senna) na Inglaterra, Sonisphere Festival na Suíça, Finlândia (que se tornou uma apresentação histórica após uma tempestadade de cinco minutos que devastou uma cidade), Inglaterra (no igualmente histórico Knebworth Park que já viu lendas como o Led Zeppelin), Wacken Open Air, Alemanha, o maior festival de metal do mundo, BBK Festival na Espanha num dos lugares mais lindos que alguém pode ir na vida, Sziget Festival na Hungria, no meio do pavoroso leste europeu, Pukkelpop Festival, Bélgica, simplesmente o lugar que mais vi gente bonita na vida e inúmeras bandas de todos os cantos do mundo, tendo no meu velho e amado Iron Maiden, como apresentações principais. Foram 10 dos 11 shows dos caras na Europa. Lá se vão 13 shows nas costas da Donzela de Ferro. E tantas experiências. Gente conhecida do mundo todo, um lote de cuzões em todos os lugares que fui, mas, igualmente outro lote de anjos que me ajudaram nos momentos mais difíceis da viagem. O polônes que me cedeu a barraca, os caras da Galícia que idem, o Thiago do Paraná que me salvou em Portugal, os finlandeses que também seguiram toda a turnê européia do Maiden e me abrigaram na Romênia. Os caras do Piauí que me salvaram no Wacken (você é beeeesta rapaz?!!). Tantas boas histórias que até as ruins foram extremamente válidas. A enorme força financeira e afetiva de excelentes e fiéis amigos como Calumby, Rena, Cynthia, Dea, Elton, Raul, Hugo e meus pais. Estas poucas pessoas tornaram essa viagem possível e ainda tenho muito a me acertar com elas em todos os setores. Vocês me salvaram tantas vezes, queridas e fiéis pessoas, confiaram e ainda estão confiando em mim, não lhes deixarei na mão. O maluco aqui conquistou uma auto-confiança que é tão difícil pra vocês entenderem de como eu consigo enxergar positivo e calmamente em situações de incerteza total como a que vivo. O que importa é que eu consigo enxergar saída pra tudo, portanto, mesmo que pareça tão impossível resolver minhas pendências, eu só confio em mim mesmo e tenho total tranquilidade, pois sei que eu vou resolver. Não consigo explicar a vocês de onde vem minha tranquilidade e calma. Mas eu apenas sei que vou conseguir. Meus próximos meses no Brasil serão intensos no exercício constante de construir essas soluções, mas, isso, por mais maluco que possa soar, é extremamente desafiador pra mim e, por isso, divertido. O que pode parecer um caos, uma enorme dor de cabeça e noites sem sono, pra mim, é um imenso e divertido estímulo. É meio maluco, hehe, eu sei, mas é assim que eu sinto a coisa, hehe. Serão intensos esses meses pra por tudo em ordem. Ahhh, tantas pendências. Tantas coisas pra resolver. É daí que vem meu estímulo pra ir em frente. A vida, enquanto eu estiver vivendo-a, nessa minha recém-adquiridade forma de enxergar tudo azul e pelo lado bom, pra mim, será intensa. O ano passa mais rápido e tranquilo, assim. Ah, pessoas, isso é tão bom. As incertezas divertidas-estimulantes que a estrada de traz. No próximo ano, quem sabe, estaremos de volta à estrada, dessa vez, não só pela Europa, mas pelos seis continentes. Sim, a Antártica está inclusa no nosso giro. Como conseguirei, aonde arrumarei dinheiro pra isso? Eu não sei. Pra ser honesto, eu apenas sei que vou conseguir. Da minha estranha-forma-tranquila e auto-confiante de tornar possível o impossível que todas as pessoas pintam pra mim. Não duvide de onde um maluco pode chegar. Não conte nos dedos de uma mão quantas cores pode pintar a forma de enxergar a vida de um sem-noção como eu. Estaremos trabalhando na construção do nosso sonho-real nos próximos meses, pessoas. Serão meses constantes. Estímulo e auto-confiança não me faltarão.

Muitas histórias vividas nestes longos três loucos meses que mudaram (pra melhor) radicalmente o rumo da minha vida. Tantas pessoas, tantas nacionalidades, tantos aviões, aeroportos, trens, ônibus, metrôs. Tantas noites sem dormir. Tantos cochilos em aeroportos e estações. Tantos albergues. Tanto frio, tanto calor. Não é segredo pra ninguém que isso tudo só aconteceu depois de uma terrível decepção afetiva. Mas, como diz o clichê de vida, há males que vem pro bem e, este, veio muito pro bem. Estava me sufocando num casulo há anos. Decidi voar e tocar o sol. Após meses e meses sentindo uma dor sufocante no peito, um cheiro de morte rastejante na espreitta, chorando a dor da perda, chorando a dor da traição, emagrecendo a cada minuto, no barulho do meu silêncio, contando as pedrinhas lá no escuro do fundo do meu poço, eu decidi, pela primeira vez na vida, escolher lutar e não mais chorar e me lamentar. Escolhi não me tornar uma pessoa amarga e rabujenta após esta enorme rasteira. Escohi começar, finalmente, a viver. Ah, pessoa ruim, obrigado por sair da minha vida. Demorou 27 anos pra eu conseguir enxergar. Dizem que esta idade traz a crise a todos os seres humanos. Muitos gênios tortos morreram nesta época, também. Decidi não morrer, ainda que eu não seja nenhum gênio nem nenhum herói. Talvez, tenha me tornado um herói de mim mesmo, porém. Cortei todos os SES, assumi (e assumo) todos os riscos que uma maluquice dessas exige como moeda de troca e embarquei nessa minha irreponsável e inquieta jornada, porém, deliciosa. Uma maluquice sem prazo de validade, que não tem certeza de nada do que vem pela frente, mas que assim, dessa forma sem-noção e irresponsável, inconsequente e pirada, me traduziu o significado dessa palavra que chamam de felicidade. Continuo achando que a felicidade é apenas uma palavra bonita ilustrando dicionários empoeirados. Prefiro dizer que existem momentos felizes e não felicidade constante. Como diz uma música do Wander Wildner "Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro...". Mas, foi assim que eu encontrei o meu rumo. Não estou perdido como pode parecer pra alguns. Estou muito bem seguro e achado na minha estrada de ilusões, hehe. Simplesmente não penso mais nos ses, nos serás, nos nãos, que, na maioria das vezes, somos nós mesmos que dizemos a nós mesmos. Os muros de Berlim, somos nós mesmos que construimos. Os martelos pra derruba-los, também depende de nós. Eu encontrei a leveza do meu ser nessa vida errática, inconstante e incerta. Tadinho do coração da mamãe. Encontrei minha paz de espírito na tênue linha de estar feliz vivendo momentos e de não SER VIRTUALMENTE feliz sonhando com estados inalcansáveis. Me sinto como o Ícaros, voando alto e tocando o céu. Minhas asas podem até ser de penas e a cera pode derreter com o calor do sol ou a umidade do mar. Mas, até que isso aconteça, eu vou continuar voando. Esteja onde estiver.


PS: Dedico isso aos meus poucos e fiéis amigos. Agradeco por simplesmente conhecer vocês. Rena, Calumby, Cynthia, Dea e Ró, Elton e Bil, Raul, Jorge, Tiago do Paraná, Tiago Maiden, McMala e Nessa, Pimpolho-Nanico-Narigudo e família, Hugo, Fafá, Fofão, Rebequinha e Beth, Erik, Guigui e família, Paulo César, Fofito e Rodrigo, Arcanjo, Vandinha, esposo e nenem, Tenis, Iuri, Mariano, Camillo, Mel e John, Amália e Castor e o cidadão(ã) que vem por aí, Maddog, Graciliano, Wal e esposo, Bodão, Adrien e Maxi da Galícia, Gregory da Polônia, Tuomas e Verneri da Finlândia, Luciano e Marcus Vinícius do Piauí, Tiago do IMB e CIA, Igor do Blog 666, fãs do Maiden em geral e pessoas de todo o mundo que acompanharam o blog que apenas começou, pois nossa aventura está apenas no início, hehe, e claro, meus queridos pais que me ajudaram e sofreram tanto nessa viagem, hehe. À foca e ao meu cunhado Ricardo. Pessoas, estou voltando. Tudo de bom e até jajá. Up the Irons!

25 de agosto de 2010

Iron Maiden, Marina Sur, Valência, Espanha - 21/08/2010

“Westward the tide, westward we sail on. Westward the tide, sail by the talisman...”

Barcelona, Espanha


Após todo o sufoco da Bélgica, o importante é que havíamos conseguido chegar ao aeroporto National de Bruxelas e, agora, era esperar pelo próximo dia, o vôo pra Valência, Espanha, último show do Maiden e, de lá, descobrir um jeito de voltar à Barcelona, Espanha, casa do meu amigo Calumby. Um dia da cada vez, ou enlouquecemos. Infelizmente, teria que cancelar as últimas viagens à Amsterdã, Holanda, Copenhage, Dinamarca, Oslo, Noruega e Milão, Itália. Assim como perder os Gp’s da Bélgica e da Itália de Fórmula 1. Paciência. Teria que perder todas essas passagens que já estavam compradas, assim como os albergues reservados. Mas, depois de todo sufoco que passei, acho que seria mais são e seguro voltar à Barcelona. Já havia passado por maus bocados nessa viagem e sempre tinha tido muita sorte ao sair deles. Era bom não mais abusar da boa vontade dela. Em Barcelona, com calma, tempo e na segurança da casa dum amigo, poderia resolver com calma os próximos dias, sem estar nessa maluquice de viajar todos os dias, estando em um país e cidade diferentes a cada dia. Com calma, estudaria a possibilidade de voltar ao Brasil antes, uns quinze dias antes do previsto. Resolveria o problema do meu cartão e bla bla bla. Todas essas coisas. Estando na casa do meu amigo, tendo onde dormir, comer e ter paz sem precisar pagar nada por isso, já era uma senhora mudança e ótima segurança. Mas antes, teria que dar um jeito de chegar à Barcelona, visto que só tinha 15 euros na carteira e isso seria insuficiente pra comprar a passagem para lá, por mais barata que fossem. Ou de ônibus ou de trem. Mas, pensamento positivo. Meu senso de sobrevivência simplesmente me impede de pensar no lado que as coisas dão errado. Acho que isso é muito bom. Talvez, sem noção, mas no fundo, positivo. Uma forma de jamais se entregar e desistir.







Dormi um bocado no aeroporto e fui pro check in umas três horas antes do vôo. Lá, achei o japonês maluco de 38 anos que já viu o Maiden mais de 100 vezes e viajou o mundo vendo a Donzela desde 1987. Achei que o cara era um playboy rico, mas não, trabalha na construção civil em Yokohama, Japão e, assim como eu, faz essas maluquices pra se virar pra pagar depois. Fomos no mesmo vôo pra Valência. No aeroporto, ele ia esperar um amigo que tava indo da Suíça e, de lá, iríamos todos juntos ao show. Assim que cheguei ao aeroporto, minha missão era descobrir quanto era a volta pra Barcelona no dia seguinte, lembram? Primeira notícia, nada boa. Não havia mais vôos pra Barcelona. O próximo, só dali a uma semana. Não desanimei. Não podia me dar ao luxo. Fui atrás de conexão e não achei. Por um euro, poderia usar um computador vagabundo lá, por 15 minutos. E assim o fiz. Tinha pouco tempo e descobri que havia um trem no domingo pra Barcelona, saindo das 17h e chegando às 22h. Custava 24 euros. Eu tinha 14 euros...Agora, eu teria que sacar mais dinheiro e rezar pra que houvesse dinheiro na conta. Prendi a respiração e fui. Tentei 50 euros e nada. Coração disparou. Fodeu! Tentei 40 e, ouvi o abençoado barulhinho das cédulas. Eu finalmente estava a salvo. Ao menos em parte. Estava com 54 euros em espécie. Agora, o próximo passo era comprar a passagem. Decidi arriscar e ir logo pro local do show. Custava 2,90 euros o metrô do aeroporto ao Marina Sur, onde seria o show. De lá, ao final do show, um ônibus noturno de 1,30 euros me levaria à estação. E que lugar foram escolher pro show, hein. Lindo local. Assistiria um show do Maiden no mesmo lugar onde corre a Fórmula 1. Na terra de Fernandinho. Fantástico! O lugar é lindo. Fica na praia de Valência, ao lado do Porto. Lindo, lindo, lindo e mais lindo. A parte ruim é que fazia um calor infernal de fazer Hellcife parecer fria. Peguei mais de 40 graus sem uma nuvem no céu. Nenhum vento. Literalmente um inferno. Ótimo pra ir à praia, mas não pra ficar esperando na fila sem nenhuma sombra. Os portões só abririam às 18h30, o show do Maiden só seria às 21h00 e eu havia chegado às 16h. Não achei sombra e me neguei a ficar derretendo naquela lua. Fui procurar um supermercado. Achei um Mercadona a quinze minutos do local do show. O Mercadona é uma rede de supermercados bem famosa aqui na Espanha. O legal é que é muito barato. Comprei pão, banana, queijo, suco de laranja, chocolate e biscoito. Comida suficiente pra três dias e gastei apenas seis euros. Não me lembro de ter ficado tão feliz ao fazer compras, hehe. Não me lembro de ter pago uma conta com tanta satisfação, também. Saí do supermercado, achei uma pracinha bem bonita com banquinhos, belo jardim e longe do sol escaldante e lá escolhi pra fazer meu piquenique. Fazia dias que não comia tão bem e assim o fiz. Comi até me sentir uma porca obesa e lá fiquei fazendo minha digestão por horas. Decidi ir ao local do show às 19h, meia hora depois da abertura dos portões. 19h e o sol ainda queimava sem dó como se fosse às 16h no Brasil. Entrando no local do show, o que mais se via era gente suada e fedida. Muita gente feia, também. Diferentemente do show da Bélgica que foi o mais bonito, o show da Espanha foi o mais feio em termos de público, hehe. Sim, eu sou fresco, odeio contato com gente suada e fedida, hehe. Ainda mais quando inventam de tirar a camisa. Todo lugar que eu parava alguém vinha pra cima de mim e eu ficava me esquivando, até que perdia a paciência e empurrava as pessoas e dizia em inglês, espanhol e brasileiro que eu tava recuando e recuando e ainda assim continuavam encostando-se a mim, que, por favor, parassem. Não sei se fiz uma cara muito feia, mas obedeceram, hehe. Ao ter alguns segundos de paz, fiquei feliz porque encontrei um dos meus amigos finlandeses que tinham me salvado na Romênia. O Verneri. O outro, o Tuomas, estava na barreira esperando o show. Finlandês corajoso! Se eu que sou do Hellcife tava estilando aquele sol escaldante, imagina o pobre finlandês acostumado com o gelo. Eu e o Verneri encontramos um grupo de espanhóis bacanas e ficamos por ali, mesmo. O engraçado é que um casal de irmãos tinha o pai que era brasileiro de Hellcife. Vai coincidir assim na puta que o pariu, hehe. A menina era até bonita, mas levantou o braço e deu vontade de vomitar. Não é nem um pouco sexy uma menina com o sovaco cabeludo. Qualquer possível atração física foi jogada ao esgoto depois dessa. Eca!! Ficamos todos conversando até a hora do show do Edguy, por volta das 19h30. Não gosto da banda, mas não posso negar o quão carismático é o tal do Tobias Sammet. O alemãozinho sabe empolgar a galera de forma espontânea, sem ser irritantemente artificial como um bando dessas bandas novas chatas e artificiais. Conheço pouco do Edguy e detesto metal melódico, mas até que foi empolgante o show dos alemães. Mas, claro, o que importava mesmo era o show do Maiden. Um show especial. O último de 2010 nessa pré-turnê do tão esperado novo álbum, o The Final Frontier. De longe, o melhor álbum da Donzela desde a volta do Bruce e do Adrian em 1999. Aos trancos e barrancos, conseguimos atingir o objetivo principal dessa viagem louca, irresponsável e sem noção que foi acompanhar a 10 dos 11 show do Maiden na Europa. Só perdemos o da Suécia que não conseguimos ingresso. Os fãs suecos do Maiden são tão ou mais apaixonados que os brasileiros. A diferença é que eles têm bala pra gastar, hehe. E, acabou sendo um bom negócio perder o show sueco, pois choveu bicas por lá e o local se tornou num campo de batalha com lama pra todo lugar. Depois de todas as chuvas e lamaçais que peguei na Suíça e Inglaterra, não foi um mau negócio perder esse. Acho que ficou de bom tamanho 10 dos 11 shows na Europa. Agora, temos na bagagem, 13 shows da Donzela de Ferro. Nada mal. Ótima experiência de vida acompanhar uma turnê inteira de uma banda. Você percebe que os caras são apenas seres humanos que tem dias bons e ruins. Há shows bons e ruins e há públicos bons e ruins. A experiência ganha em ver o Maiden em 10 países e 10 cidades diferentes foi fantástica. Conheci gente do mundo inteiro e, impressionantemente, achei ao menos um brasileiro em todos esses lugares que fui. Fiz bons amigos como os finlandeses e o japonês. Descobri que há muito filha da puta no mundo, mas dei sorte de encontrar muito mais gente boa que me ajudou bastante nessa minha aventura sem noção. Experiências não faltaram. Me sinto uma espécie de super-homem, agora. Nada mais me causa medo. Nada mais me entristece. Nada mais parece impossível. Não tenho mais medo de me perder. Esteja onde estiver. A auto-confiança adquirida numa viagem dessa é enorme. Apesar dos sufocos, passaria tudo de novo. Pois, foi através dos sufocos e dos momentos ruins que aprendi a me virar e resolver os problemas. Por mais difíceis e impossíveis de resolver que fossem.

O Maiden entrou feliz no palco pro seu último show. Toda a equipe estava em clima de despedida. Todos usando chapéus de festa, já que era o último show da turnê. Por mais divertida que seja uma turnê, o cansaço chega pra todos. Foram dois meses e meio na estrada pros caras, 36 shows em 13 países diferentes. Tudo isso, dando 200% de si em cada noite pra caras que já passaram dos cinqüenta anos e continuam fazendo shows como se tivessem 25. Principalmente Bruce Dickinson e Steve Harris. Esses caras são foda. Correm e pulam durante 2h sem perder o fôlego e sem o auxílio de substâncias químicas. Realmente, esses dois são a alma do Maiden ao vivo. É assustadoramente fantástica a performance e energia desses dois gigantes do heavy metal. Baixinhos em estatura, mas gigantes em feitos.

Nunca vi o Steve Harris usar tantos baixos diferentes numa mesma noite. Usou o tradicional branco e preto com o logo do West Ham, mas também usou o azul com relâmpagos e, pela primeira vez em anos, usou o baixo vermelho. O Bruce pôs em dias sua herança de homem aranha e saiu escalando as estruturas do palco na Espanha. Quem não deve gostar nada disso é o Rod Smallwood, empresário da banda que, deve ficar com o coração na boca cada vez que o Bruce inventa de fazer essas maluquices. Toda vez que o Bruce inventa de correr e pular sob as caixas de retorno e caindo literalmente na ponta final do palco, o Rod também deve passar mal. Cada vez que o Bruce dá esses saltos suicidas, qualquer milímetro calculado errado resulta numa queda feia num palco de uns três metros de altura. Melhor não pensar no pior, hehe. Fiquei surpreso, pois tava no canto direito do palco, único lugar que eu poderia ver o show em paz, sem nenhum bêbado fedido e suado se encostando em mim, quando, do nada, aparece o Rod Smallwood. Não soube o que fazer na hora e o máximo que fiz foi dizer: ‘Hi, Rod”, que, muito simpático, devolveu o comprimento com um sorriso sincero. Espero não mais perder câmeras numa próxima viagem...

Voltando ao show, uma banda feliz e, talvez, aliviada por finalizar mais uma turnê de sucesso sem nenhum show cancelado. 22 mil pessoas acompanharam a última apresentação de 2010 do sexteto inglês. Até Adrian e Dave, os mais sérios, entraram na brincadeira e puseram chapeuzinhos engraçados e óculos de sol, entrando na brincadeira dos roadies. Um ótimo show de uma ótima turnê que, como sempre na história do Maiden, poderia ter um set list mais interessante, mas, ainda assim, a experiência foi ótima. Uma experiência e tanto que, espero, não seja a última vez.
Show finalizado com chave de ouro, era chegada a hora de voltar ao mundo real dos seres humanos normais e seguir meu rumo. Precisava descobrir onde e qual ônibus pegar pra chegar à estação. Após andar um bocado e sair perguntando a todo mundo, achei o lugar, mas tive que esperar até 01h30 pra pegar o ônibus. Aqui na Espanha, depois das 0h, o transporte público continua funcionando, mas apenas ônibus noturnos de meia em meia hora. Os bacurais europeus acho, hehe. Me sentei calmamente, comi um biscoito e esperei pacientemente meu ônibus. Em pouco mais de vinte minutos cheguei à estação que, surpresa, assim como na Hungria, estava fechada. Eram cerca de 2h e a mesma só abriria às 4h45. Sem cerimônias, amarrei a mochila no braço, a fiz de travesseiro e fiz companhia as dezenas de metaleiros que faziam o mesmo na espera pelos seus trens. Cochilei fácil pra minha própria surpresa e só acordei com o barulho das portas da estação sendo abertas. Quando entrei, descobri que sim, havia um trem pra Barcelona, mas só às 17h. E eu só poderia comprar o bilhete às 6h00. Pra quem já esperou tanto nessa viagem...esperei pacientemente e, quando as bilheterias abriram, fui o primeiro a ser atendido. Finalmente estava com a passagem à Barcelona em mãos. Poderia finalmente respirar em paz. Tentei de todas as formas achar conexão na estação e ao redor, mas sem sucesso. Minha mãe, no Brasil, tadinha, devia tá desesperada sem notícias, achando que eu tinha morrido, mas eu simplesmente não achei lugar pra entrar em contato com a pobrezinha ou com Calumby, meu amigo, e avisar que estaria voltando à Barcelona no domingo à noite. Como não haveria o que fazer, o jeito foi esperar as quase 12h pro trem na estação mesmo. Cerca de 12h, fui dar outro giro por Valência pra ver se achava conexão. Sem sucesso novamente, mas, antes de sair da estação, ouvi alguém chamar meu nome. Eram os amigos finlandeses. Também precisavam ir à Barcelona pra, de lá, pegar um vôo no outro dia pra Suécia e, finalmente, chegar à sua terra natal, Helsinque, Finlândia. Avisei que tinha conseguido um trem por 24 euros e compraram o mesmo. Voltaríamos todos juntos. Soou bacana. Passagem dos finlandeses em mãos, me convidaram pra ir à praia, comer, pegar as mochilas deles no albergue e, de lá, voltarmos à estação. Não aceitei, pois disse que era vampiro e detestava sol e calor e, no domingo, tava ainda mais quente que no sábado. Os finlandeses insistiram e, haviam sido tão legais comigo que não pude dizer não e lá fomos nós. Tiramos umas fotos engraçadas e fomos à praia. Mulher fazendo top less pra todos os lados, o que nos rendeu boas e engraçadas fotos, hehe. Após nossa breve passagem na praia, pegamos o metro, comemos algo e fomos à estação pegar nosso trem de cinco horas à Barcelona. No mesmo vagão, ainda encontramos o casal de irmãos espanhóis que achamos no dia anterior no show. A essa altura, todos estávamos mortos de cansados, imundos, com sono, fome e, o que mais queríamos, era voltar às nossas casas, dormir horas, tomar um banho e voltar à civilização. A pouco mais de cinco minutos antes de, finalmente chegarmos à Barcelona, toca o “meu” celular. Era meu amigo Calumby, desesperado, perguntando se eu tava vivo, que minha mãe tinha ligado desesperada e chorando pra ele, perguntando se tinha notícias minhas. A ligação tava triste, mas expliquei por alto o que tinha acontecido e pedi pra ligar pra ela e dizer que tava tudo bem. Bichinha da mamãe. Tadinha. Chegando, finalmente à Barcelona, estávamos todos exaustos e os finlandeses começaram a discutir. Nada grave, apenas estresse acumulado do cansaço. Um deles se emputeceu e foi sozinho pro aeroporto. Tive que tomar conta do outro, hehe. Mas o cara era tão gente boa que fiz com prazer. Como já sabia me virar em Barcelona, funcionei de guia pro Tuomas. Achei um lugar pra ele comer, depois pegamos um metro e depois fui pra parada com ele esperar o ônibus pro aeroporto. Fiquei com ele até o ônibus chegar. O mesmo, me agradeceu profundamente. Muito gente boa o povo finlandês, mais legal ainda é saber que, quando voltar à Finlândia, tenho onde ficar e companhia. Nada mal. Nessa vida, tudo são contatos e, não posso reclamar dos meus amigos. São poucos, mas preciosos. Calumby, Rena, Cynthia, Dea, Elton...todos me ajudaram muuuito e essa viagem jamais teria acontecido sem a ajuda deles. Outros poucos me decepcionaram ao sequer responder quando precisei de ajuda. Agora, é voltar ao Brasil e pagar tudo que devo a esses excelentes corações que me salvaram nas horas mais difíceis. Estou orgulhoso de saber que no momento que mais precisei, esses amigos estiveram sempre ao meu lado assim como meus pais. Se nossa relação esteve muito abalada nos últimos anos, cresceu incrivelmente após o traumático fim do meu último relacionamento onde fui covardemente sacaneado por uma pessoa que dei a vida e no final se mostrou ser a pessoa mais execrável do mundo, mas, quis a vida que eu sobrevivesse dessa terrível decepção pra nascer uma nova pessoa, muito melhor e mais forte em todos os sentidos. Minha relação com meus pais e amigos se fortaleceu e, hoje, são as coisas mais importantes da minha vida. Agora, é manter a calma e pagar tudo que devo a essas pessoas que me salvaram e confiaram e ainda estão confiando em mim. Pessoas queridas, obrigado, por mais que seja difícil, eu não vou lhes deixar na mão.

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free


PS: Dedico esse post aos meus amigos Calumby, Rena, Cynthia, Dea, Elton, Raul e Hugo que foi vital ao avisar a minha mãe do sufoco que eu tava passando na Bélgica. Sem sua mensagem à minha mãe, Hugo, eu estaria fodido. Você salvou alguém. Obrigado de coração. Pessoas queridas, desculpem o aperreio que os fiz passar com minha mãe, tadinha, ligando desesperada pra vocês, buscando informações. O que importa é que estou bem, voltando pra casa são e salvo e em paz pra lhes pagar o que devo. Fiquem em paz que não lhes decepcionarei. Obrigado de coração a todos vocês, queridos e fiéis amigos, queridos e fiéis pais. Up the Irons!

Iron Maiden, Pukkelpop Festival, Bruxelas, Bélgica - 19/08/2010

“When you know that your time is closed in, maybe then you begin to understand that life down is just a strange illusion...”


Valência, Espanha


Nossa passagem por Bruxelas, Bélgica, envolve muito sentimentos, momentos extremos de agonia e mudanças profundas de rotas de viagem e vida. Sentimentos que foram da contemplação absoluta pela beleza do lugar, assim como sentimento de pavor, agonia, sufoco, caos, fim da linha. Tudo ao mesmo tempo agora. Após toda decepção italiana, as coisas teriam que melhorar na Bélgica e, começaram muito boas. Tadinho de mim, mal sabia o que iria acontecer em tão pouco tempo. Mal sabia o sufoco que estava prestes a viver dali a tão pouco tempo. Cheguei ao minúsculo aeroporto Charles Leroy e a primeira impressão foi péssima. Ele conseguiu ser menor e pior que o de Bergen, Noruega. Não tinha casa de câmbio, um setor de informações que pouco informava e muito, mas muuuito cheio. Cheguei por volta das 10h45 da quinta, 19 de agosto e, o que menos queria era ir logo pro festival e esperar horas e horas pelo show do Maiden que só aconteceria às 20h30. Mas, como não tinha nada pra fazer naquele aeroporto de merda que e nem internet tinha (se quisesse usar, eram dez euros por uma hora ou cinco euros por duas, dá pra entender?), o jeito foi me mandar mesmo. Descobri que teria que pegar um caro ônibus de dois euros e setenta até a estação, pra, de lá, pegar um trem gratuito pro festival. Trem bacana, igual ao da Suíça, de primeiro andar, ar condicionado, rápido, carregador...só faltou acesso wi-fi gratuito à internet. Super bacana. Primeira impressão da Bélgica: pessoas. Ótimas, fui super bem-tratado, todo momento por pessoas que sempre falavam inglês e eram simpáticas e solícitas. Bonitas também. Da estação, descobri que o trem demoraria “apenas” 2h30 pra chegar ao local do festival. A tradição dos festivais europeus continua. Sempre em locais lá depois da puta que o pariu.







Antes de pegar o trem, descobri um mini-carrefour perto da estação e lá fui comprar comida. Não tão barata quanto eu esperava, mas eu não tinha muita opção. Comprei o de sempre, pão, queijo, banana, biscoito...nada de luxuoso, apenas o necessário pra sobreviver. Após comer um pouco, fui pegar o trem. Cheguei ao local do show às 17h. Fazia um céu de brigadeiro na Bélgica, mas fazia frio também. Cerca de 20° com um ventinho congelante que aumentava a sensação de frio. Fui ficando impressionado com a quantidade de mulher bonita que havia no local. Alemanha e Inglaterra que me perdoem, mas a Bélgica foi, de longe, o lugar onde mais vi mulher bonita na vida. E, o Pukkelpop Festival, também, foi de longe o festival mais bonito que vi aqui no velho continente nessa minha viagem louca e sem noção. Era interessante perceber que só havia banda bosta no festival, a maioria desconhecida no Brasil. Na noite do Maiden, idem e, pra completar a estranhesa, o Blink 182 abriria pro Maiden. Muito, muito estranho. Assim como na Irlanda, percebi que a velha guarda tava em segundo plano. O que havia mesmo era um lote de fãs pivetes, muitos deles, irritantes. Havia também, a parte mais chata desses festivais de verão europeus, uma graande parte de cuzões bêbados que não conhecem a banda e estão lá apenas por diversão. Parece que tenho imã pra esses idiotas e, tive que mudar de lugar umas quatro vezes pra não estourar com esses imbecis. Enconstam em mim e vou dando passos pro lado pra me afastar, mas parece que os desgraçados me seguem. E continuam vindo ao meu encontro. Há horas que falo em inglês e português pra, por favor, se afastar um pouco, que já fiz isso várias vezes e o cidadão continua vindo. Gostou de mim pra ficar me tocando, ow caralho??

Após dar uns empurrões em alguns e começar a ficar realmente puto, decidi sair antes de arrumar confusão. Viagens constantes, dias sem dormir, horas de espera em estações e aeroportos, mal-alimentado, cansado, no fio da navalha...é muito fácil estourar e perder o controle. Muito fácil. Quando se está operando no fio da navalha, o risco do corte profundo-irreversível é tênue. Fui então me acomodando e logo descobri um lugarzinho do outro lado, o esquerdo, pertinho do palco, com pessoas ao redor que realmente gostavam da banda e respeitavam o lugar do outro. Pulavam, curtiam, mas não ficavam naquele irritante empurra-empurra. Era a velha-guarda.

Acho que foi a noite da redenção pro Maiden. Se o show da Itália havia sido uma bosta em todos os sentidos, a noite pintava como diferente na Bélgica. A banda trouxe o bonito, futurista e completo jogo de iluminação que foi a parte mais importante do cenário dessa nova pré-turnê do The Final Frontier. O Pukkelpop montou um palco decente e não esqueceu os telões como a Itália e as coisas foram caminhando assim. Muito boas. Bruce entrou com muuuita vontade, totalmente diferente do show da Itália e isso foi claramente visível. E a resposta do público também foi muito boa o que, acabou animando Bruce e o restante da banda. Pela primeira vez nesses meus já doze shows do Maiden, vi o Steve Harris brincar com o Bruce no palco e dar uma puxadinha na orelha do baixinho na execução da Iron Maiden. Bruce, por sinal, reagia com mais energia, piadas e sorrisos quanto mais o público lhe empolgava. E teve algo diferente naquela noite. Toda a banda estava extremamente feliz. Talvez empolgada com o sucesso das vendas do recém-lançado The Final Frontier que já é primeiro em vários países como Finlândia, Alemanha, Inglaterra, Noruega, etc. A banda toda estava feliz, radiante, risonha, até o Adrian Smith que é o mais sério, brincou, sorriu, se divertiu. A banda devolveu o carinho do público com uma performance fantástica o que apagou totalmente o péssimo, sem sal e ridículo show da Itália. A banda conseguiu unir a beleza do povo belga, assim como os cenários lindos da Bélgica ao, igualmente fantástico, show da Finlândia, aquele que foi heróico por ter acontecido depois do temporal, lembram? De longe, disparados os dois melhores shows desse ano. Tão belo quanto o caminho de ida pro show. A paisagem que se mostrava pelas longas janelas do trem era inacreditavelmente linda. Certamente, a Bélgica será um dos países que farei questão de voltar num futuro, espero, que não muito distante.

Após o show, por volta das 22h30, saí correndo pra estação pra chegar lá umas 23h e dar sorte de pegar o último trem e, de lá, voltar pro aeroporto. Sem sucesso. Fiquei sabendo pelos guardinhas que o próximo só sairia as 05h30. Fodeu! Onde iria dormir? Não teve jeito. Tive que comprar um Red Bull de 500 ml por três euros e esperar mesmo. Longas horas. Sem ter onde dormir dessa vez, pois a estação era ali depois do meio do nada e não tinha onde dormir, pois o piso era de terra. Tentei dormir num banheiro químico que estava limpo, mas, sem condições. Desisti. Muito simpáticos os guardinhas da estação. Todos da mesma idade que eu. Os belgas ganham tão bem assim? Um deles tinha uma Mercedes, os outros, bicicletas. Bicicletas, a propósito, são um meio de transporte bem comum na Bélgica. No show, havia um estacionamento só pra elas. Estava lotado, hehe. Fiquei conversando por longas horas com os simpáticos guardinhas. A Bélgica é um país bilíngüe. Alguns falam francês, outros, alemão, mas, todos falam inglês fácil, o que ajuda bastante a nossa vida de turistas. Como não tinha nada pra fazer, a diversão acabou sendo ver os policias belgas multando os bêbados que atravessavam a linha do trem ao invés de usar a passarela. Cada um dos infelizes que foram pegos levou pra casa uma nada simpática multa de trezentos e cinqüenta euros. Falta de aviso pra não atravesar, não faltou...

A noite ficou gelada e chegou aos 8°. E eu havia perdido a jaqueta, lembram? O jeito foi apelar pra quatro camisas e o impermeável doado pelo amigo polonês no temporal da Inglaterra, na época do Download Festival. O que ajudou um pouco. Pra ser honesto, salvou minha vida. Sagrado seja esse impermeável que tinha uma parte que protege o pescoço e um capuz. Sim, tava frio até pra respirar e congelando até as orelhas. O impermeável quebrou um galhão. E o trem, finalmente, chegou. Lá íamos pra uma viagem de mais de duas horas pra estação, pra de lá, pegar um ônibus de cerca de meia hora pro aeroporto. Até que o tempo passou rápido, mas aí o meu inferno particular começou. Cheguei ao aeroporto e desconfiei que meu vôo não sairia dali. Pois, no painel, não vinha nenhum vôo da Vueling que era minha companhia dessa vez. Fui às informações e descobri que o mesmo sairia do aeroporto principal da Bélgica, o National. Tava na cara que tava estranho demais a Bélgica ter um aeroporto tão vagabundo e pequeno daquele. As coisas realmente se complicaram pra mim. A casa caiu. Ao tentar sacar dinheiro, descobri que três depósitos que deveriam cair na quinta, não caíram e eu estava completamente sem dinheiro. No bolso, apenas 12 euros e 5 pounds que ninguém trocava. A passagem de ônibus pra estação custava 13 euros e de lá, ainda teria que pegar um trem que custaria mais 7 euros. Fodeu!! Não tinha o que fazer e começou a bater o desespero. Ficaria preso na Bélgica, sem ter como sair de lá, pois estava sem dinheiro e não tinha como entrar em contato com ninguém, pois estava sem celular e pra usar a internet naquele aeroporto de bosta, tinha que pagar 10 euros. Tentei manter a calma, por mais delicada que fosse a situação e tentei achar uma saída. O que faria? Tentaria carona? Negociaria com algum taxista, apelaria sair pedindo dinheiro na cara dura mesmo às pessoas? O que fazer? É muito difícil pensar em soluções pra esse tipo de problema quando está sozinho, num país estranho e sem ninguém conhecido por perto pra te ajudar. Acabei optando por procurar a polícia do aeroporto e explicar o problema. Muito compreensivos, me levaram pra uma salinha escondida da polícia no aeroporto e me deixaram usar a internet e foi aí que consegui entrar em contato com um amigo que conseguiu encontrar em contato com a minha mãe pra transferir cinqüenta reais pra minha conta de forma urgente. Tinha que ser na boca do caixa pro dinheiro entrar na hora. A minha agonia era imensa na Bélgica. Até esqueci os celulares dos meus pais e o telefone de casa. Acho até que confundi com o de uma amiga. Mas tinha que manter a calma, o sangue frio, por pior que fosse a situação. Ah, eu estava com fome e sede e, claro, não podia comer nem beber nada. Mas vamos por partes e tentando enxergar tudo, sempre pelo lado bom. O principal é que conseguira transmitir à mensagem de socorro a amigos e aos meus pais. Agora, era esperar que conseguissem depositar a tempo, tudo desse certo e eu conseguisse sacar. Esperei uma hora e fui ao caixa eletrônico, piando o cu, tentar sacar o dinheiro. Longos segundos de expectativa no processo do saque. Se não fizesse o barulhinho da máquina da contagem das cédulas, eu realmente estava fodido!! Realmente fodido. Nadando em merda. Como queiram. Por um milagre divino, o dinheiro sagrado dos meus pais havia entrado a pouco, o saquei, suando frio, mas aliviado e fui imediatamente comprar as passagens pro aeroporto National. Lá na puta que o pariu, cerca de duas horas e, agora, fazia um calor digno de Hellcife na Bélgica. Sol escaldante, calor infernal, nenhum vento. Minha sorte foi ter descoberto que o vôo sairia do outro aeroporto, 24h antes. E sendo assim, eu tive esse tempo todo pra resolver o pepino. Já pensou se não tivesse percebido isso? Pra foder tudo, ainda perderia o vôo, o último show do Maiden e estaria preso na Bélgica sem comida, água, dinheiro, nada...Saí do minúsculo aeroporto por volta das 15h da sexta, dia 20 de agosto, e sei que, naquelas difíceis horas de tensão, envelheci dez anos ou mais. Era eu e eu mesmo pra agüentar a barra. Uma prova de fogo pra mim mesmo. Mas, pensamento positivo sempre. Eu criei um dispositivo dentro de mim que simplesmente ignora o “e se dar errado”, eu não aceito isso e penso sempre: “vai dar certo”. E acaba dando. Simplesmente elimino que, por um momento, as coisas podem dar errado. Eu simplesmente não aceito essa realidade. O importante é que havíamos conseguido como chegar ao outro aeroporto e de lá, esperar o vôo pra Valência, Espanha. Essa, já era uma vitória imensa. Depois do caos que vivi, isso era um milagre e eu tinha que agradecer por isso. A sorte que nunca me acompanhou, não tem largado do meu pé nessa viagem. Não posso reclamar. Aprendi a viver um dia de cada vez e, por mais delicada que seja a situação, por maior que seja o problema e pareça sem solução, é preciso manter a calma, o sangue frio e o pensamento positivo que tudo irá se resolver, por mais que a vontade e o desespero quase te obrigem a gritar, chorar, sair correndo, ter uma crise histérica-nervosa-sem-noção, hehe. Desistir, se desesperar e pensar negativamente, nada vai resolver, só piorar o que já está delicadíssimo. Tenho aprendido a ser uma espécie de super-homem e por na cabeça que, por mais difícil que seja a situação, eu vou dar um jeito. Não sei como, mas vou. Uma espécie de McGyver. Chegamos ao aeroporto National de Bruxelas por volta das 17h. Quanta diferença pro que eu estava...O aeroporto National da Bélgica é simplesmente gigantesco. Esteiras pra todos os lados, escadas e mais escadas, caso de câmbio, dá até pra brincar de pega, andar de bicicleta, fazer Cooper. De tubo um pouco. Tem lugar pra carregar celular ou notebook a cada 10 metros e toda estrutura que um grande aeroporto deve ter. Como meu vôo só sairia as 9h30 do dia seguinte, sábado, 21 de agosto, e a única coisa que eu podia era esperar, decidi desligar a cabeça e dormir. Havia cadeiras acolchoadas num lugar calmo do aeroporto e ali foi onde decidi dormir, assim como mais uma caralhada de gente. O dia tinha sido tão estressante, tão delicado, que simplesmente deitei e dormi. Mesmo com duzentos mil problemas pra resolver ainda, simplesmente deitei e dormi. No próximo dia eu deixo pra pensar quando ele chegar. Não sei o que vai acontecer, mas a primeira saída que me veio a mente é desistir da Holanda e da uma semana que ficaria lá, assim, infelizmente perco a passagem, mas economizo muito em albergue, transporte e alimentação, corto também a uma semana na Dinamarca e salvo os mesmo detalhes da Holanda, corto os poucos dias em Oslo na Noruega pra seguir o plano de emergência e, por último, corto os Gp’s da Bélgica e Monza de Fórmula 1 e, tenho voltar à Barcelona, casa do meu amigo Calumby e lá, um porto seguro, com calma, tentar antecipar minha volta ao Brasil e saber o quanto isso vai custar. Preciso saber também qual o melhor meio de chegar a Madri sem ser tão caro, pois minha passagem está marcada apenas pra 14 de setembro e aqui na Europa não tem essa coisa de mudar passagem. Meu vôo da TAM sai de Madri, por isso, preciso, antes, sair de Barcelona. Também preciso, antes, chegar à Barcelona, a partir de domingo, seja de trem ou ônibus, o que for mais barato e possível. O importante é chegar à Barcelona e lá, na casa do meu amigo Calumby, e, com calma, resolver os pepinos. Pensamento positivo. Amanhã, quando acordar, tudo dará certo. Preciso, pro meu próprio bem, assim pensar. Não posso me desesperar. Preciso ser forte e manter o sangue frio. Vamos ver o que o amanhã me reserva, pessoas. Tenho que aproveitar o fato de estar indo pra Valência, Espanha, hoje, ver o último show do Maiden esse ano e aproveitar o fato de ficar a menos de 400 Km’s de Barcelona e custar relativamente pouco, desde que usando ter, ou ônibus. Tenho que aproveitar o fato de já ter passagem comprada pra lá e, de lá, aproveitar a proximidade que vou estar de Barcelona. O primeiro passo, foi conseguir chegar ao aeroporto National. Deu certo. O segundo, é chegar à Valência. Quase lá. O terceiro, já em Valência, é dar um jeito de chegar à Barcelona. E no momento, tenho só mais 15 euros na carteira o que, acho, vai ser insuficiente pra comprar uma passagem, mesmo que de ônibus, pra Barcelona. Não sei como vou resolver esse pepino, mas preciso crer que dará certo mais uma vez. Não posso sequer, pensar na possibilidade de dar errado. Por enquanto, é isso, pessoa. Tudo de bom e cuidem-se. E torçam por mim, pois, nunca precisei tanto, hehe, de bons pensamentos, como agora, hehe.

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free

Iron Maiden, Villa Manin, Udine, Itália - 17/08/2010

“E os ossos serão nossas sementes sob o chão...e dos ossos as novas sementes que virão...”


Bruxelas, Bélgica


O leste europeu é tão ruim, mas tão ruim que, até pra sair do desgraçado dá trabalho. Após dormir no hotel, acolhido pelos bons amigos finlandeses, cheguei ao aeroporto de Cluj-Napoca, Romênia, por volta das 12h do dia 16, segunda-feira, quase um dia antes do meu vôo que sairia apenas às 08h15 da manhã do próximo dia, 17 de agosto, terça-feira, rumo à civilização novamente, Veneza, Itália. Mas antes, teria que ir primeiro a outra cidade romena, Tamisoara, pra só então, chegar à Itália. As coisas estranhas não paravam de acontecer na Romênia. Percebi que, por volta das 20h, o aeroporto tava muito silencioso (eu tava “escondido” numa saída de emergência, usando meu amigo notebook e a internet pra passar o tempo) e, quando fui ao banheiro, passando pelo telão com os horários dos vôos, percebi que simplesmente não haveria vôos nas próximas 10h. Nem chegada nem partida. Percebi também que era a única alma naquele aeroporto no meio do nada. Primeiro aeroporto do mundo que vi fechar. Realmente é estranha essa Romênia. Um aeroporto sem clientes não precisa de funcionários, logo, vamos fechar o mesmo, assim como lanchonete, não acender as luzes e etc, ok? Foi o que aconteceu. E lá fiquei sozinho no mesmo. Com luzes apagadas e um temporal caindo lá fora. No aeroporto, no escuro, apenas eu e meu notebook. Justo na terra do Conde Drácula com o castelo dele ali, pertinho de mim, numa noite chuvosa. Ótima ilustração. Até deu medo. Sei lá, naquela terra tudo é estranho, sentir medo deve ser a única coisa normal...







Após horas na internet conversando com vocês e mamãe (a veia ta craque, não larga mais o computador nem a internet, hehe), resolvi tirar um cochilo. Não havia ninguém lá, mesmo. E assim o fiz. Me escondi debaixo duma escada e lá cochilei até amanhecer, algumas horas antes do vôo que, claro, atrasou. Cerca de quarenta minutos. Voei numa companhia chamada Carpatair num aviãzinho executivo à hélice com capacidade para pouco mais de 50 pessoas. Achei ótimo, pois, apesar de pequeno, o aviãozinho era confortável e tinha duas fileiras de cadeiras. Uma dupla e uma individual. Fiquei na individual com bastante espaço pras pernas e sem nenhum vizinho mala do lado. Melhor viajar assim do que em aviões grandes, cheios e repletos de gente falando alto, vizinhos chatos e etc. Voamos de Cluj-Napoca à Tamisoara e lá, a imigração romena implicou comigo. Falei dez vezes que tava deixando o país, tinha ido apenas assistir um show e tava indo pra Itália ver outro. Pra completar a bizarrice, as duas policiais da imigração eram gêmeas. Após me darem um chá de cadeira, carimbaram meu passaporte e me liberaram. Querida Romênia, se sua impressão já tinha sido péssima nos dois dias que fiquei aí, piorou ainda mais depois de sair. O que mais eu queria era sair desse lugar de merda, não permanecer!! E vocês queriam me impedir de sair? Por favor!! Mesmo com castelo do Conde Drácula, Romênia nunca mais!!!

Finalmente de volta à civilização, Veneza, Itália. Não sei se é porque já to viajando há quase três meses e já aprendi a me virar sozinho em todo tipo de situação, mas não senti mais nenhuma ansiedade ou medo de me perder ao chegar a Veneza. Foi tudo muito fácil e natural. Descobri o ônibus pra estação, pra de lá pegar um trem de duas horas pra Udine, uma cidadezinha depois de Veneza onde aconteceria o show do Maiden na Vila Manin, e, de lá, pegar mais um ônibus pro local do show. Foi tudo muito fácil, por preços justos e assim lá chegamos. Só pra variar, encontrei um brasileiro logo de cara e nos fizemos companhia. O cara é um antigo fã do Maiden e também era o 11º show dele assim como o meu, o detalhe é que o primeiro dele tinha sido em 92, o meu, em 2008. Dêem um desconto, o cara tem 38 anos e já é papai. Papai babão por sinal, não parava de falar do filho, um simpático guri de quatro anos que, na foto, todo maduro, hehe, aparentava ter mais. Lá fomos então pro local do show, eu e o papai babão, hehe. Gente boa demais o cara e logo nos entrosamos. Conversamos um bocado até o começo do show. Dividimos comida, falamos sobre música, o mesmo disse que tava acompanhando meu blog e etc. O desgraçado falou quando teve a graça de conhecer o Steve Harris e o quão gente boa o cara é. Falou também que, sempre através de bons contatos, conseguiu conhecer músicos importantes como o Slash, Duff, ex-Guns N’ Roses, Joey Perry e Steven Tyler do Aerosmith e fez questão de dizer como os caras são gente boa. Também fez questão de dizer o quão cuzões são o John Petrucci e o James Labrye do Dream Theater. Músicos são assim. Ou legais e naturais ou uns bostas e arrogantes. Os gigantes são sempre os mais humildes, os apenas bons, são sempre os imbecis. Nossa opinião sobre Vila Manin foi a mesma. Decepção. Nas fotos, o lugar era a coisa mais linda do mundo e enorme. Pessoalmente, não era bem assim. O lugar era grande, mas beeem pequeno em relação às fotos. O casarão tava beeem mal conservado e não condizia com as fotos do site, também. Enfim, fizeram uma propaganda danada como um lugar fantástico e não era essas coisas. O palco que montaram também foi triste. Mais vagabundo impossível. Nem telão tinha. Estruturas velhas, tortas e enferrujadas. Pra quem achava e esperava um show especial na Itália, a decepção foi grande. Ao menos a minha foi.







Houve uma banda italiana de abertura que nem sei qual o nome, pois não avisaram. Morna, morna. Estranhei o silêncio dos italianos. Se quando havia estado em Roma, tinha ficado a péssima impressão do barulho deles, assim como na Hungria, era estranho demais como estavam silenciosos num show do Iron Maiden. Era finalmente chegada a hora do show e eles continuavam quietos. Estranho, muito estranho. Esse, por sinal, foi o mais estranho dos shows do Maiden. Um Bruce Dickinson claramente sem vontade alguma de fazer o show. Tinha até começado bem, dando uma de homem aranha e escalado as estruturas do palco. Não sei se pelo cansaço de dois meses de turnê, quase quarenta shows e as mesmas músicas e piadas de sempre. Tem uma hora que enche o saco até pra ele. Não correu como nos shows anteriores, economizou vocal, não brincou tanto, não segurou a voz, enfim, um show xoxo, nada condizente com a capacidade que o baixinho tem. Digamos que ele usou menos de 50% do que pode e sabe nesse show. Uma decepção pra mim. Um público igualmente xoxo, a maioria, desconhecia totalmente o set list baseado nas músicas novas. De longe, o pior show do Maiden nessa turnê da Europa. Xoxo, morno, sem graça. O pior dos onze shows que vi dos ingleses. Esperava um público feroz e isso não aconteceu. Esperava uma estrutura fantástica e isso não aconteceu. Esperava um show especial e isso não aconteceu. Acompanhando uma banda em vários shows seguidos, você começa a perceber que eles não são super-heróis, apenas humanos iluminados que, assim como nós, seres-humanos normais, tem dias bons e ruins. O Iron Maiden é humano e sim, tem dias bons e ruins, shows bons e ruins, shows quentes e xoxos. A Donzela de Ferro é humana, assim como a gente.

Ao final do show, era hora de mais uma maratona. Primeiro, pegar um ônibus à estação de Udine, de lá pegar um trem pra Veneza e, só então, pegar um outro ônibus para o aeroporto de Marco Polo. Ruazinhas estreitas e escuras nos levaram por cerca de trinta minutos até a estação. No ônibus, encontrei novamente o André e a Betânia que já havia encontrado na Inglaterra, Hungria e Romênia. Na estação, foram pro hotel e eu pegar meu trem. Eram cerca de 0h e o próximo só passaria às 04h28. O jeito foi dormir lá mesmo, assim como metaleiros do mundo todo. Pra minha surpresa, achei novamente o brasileiro que tinha me feito companhia no show. O mesmo tinha saído três musicas antes do final pra não perder o trem de volta a Munique, Alemanha, onde tava com o filhão e a esposa. Não teve jeito e ele perdeu. Mas, pro meu lado, até que foi bom, pois foi alguém bacana pra fazer companhia na madrugada inteira. Falamos um monte novamente (minha garganta tá acostumada a falar pouco e, sempre que falo um pouco, percebo que a mesma dói e fica seca, vai entender), comemos e descobrimos um cantinho confortável no chão da estação pra lá esperar pelo trem das 04h28. To ficando acostumado com esse negócio de dormir em chão de aeroportos e estações. As costas nem doem mais, hehe.

Horas de espera vencidas, o despertador nos acordou e lá fomos nós pro trem. Cada um cochilou pro seu lado novamente até o despertador nos acordar de novo. Desci na estação Mestre e de lá segui pro aeroporto nas primeiras horas da manhã da quarta, dia 18 de agosto. As informações estavam fechadas e teria que esperar até as 09h pra abrir e saber como chegaria ao albergue. Longas três horas de espera, visto que o aeroporto de Veneza, assim como o de Roma, simplesmente não tem nenhuma porra de tomada pra carregar notebook ou celular e também não disponibiliza internet gratuita. Vai aqui uma crítica mundial...já está na hora dos aeroportos pensarem melhor nos passageiros e criarem uma salinha especial e gratuita com camas ou poltronas confortáveis, internet gratuita, chuveiros e toda essa coisa que viajantes constantes precisam. Não digo nenhuma sala enorme e luxuosa pra atender toda a demanda de um aeroporto, mas uma pequena salinha pra esse propósito. É um pé no saco ter que pagar passagem aérea e ainda vir te cobrar pra usar internet ou, alguns policiais, malas, te acordar, simplesmente porque você tá esperando uma porra de vôo. Se não querem ninguém dormindo pelo chão que pensem na hipótese citada, ora pois.

Finalmente as informações abriram e lá fui eu saber como chegar ao albergue. A atendente, nada simpática disse que não havia como. É óbvio que há como, minha filha. Você que não tava a fim de dar informação. Como não quis confusão, fui achar um lugar pra ter acesso à internet pra buscar a rota eu mesmo. Me cobraram oito euros pra usar a conexão wi-fi...desisti. Desci pras informações de novo e falei com a outra atendente que me informou como chegar lá, fácil e rápido. Olhei pra outra disse: burra, que respondeu com: what?? Deixei pra lá e fui pegar meu ônibus rumo ao albergue. Já eram 10h da manhã e o que eu mais precisava era comer um pouco e dormir por longas horas, também precisava dum banho, mas o adiei pra manhã seguinte, quando deixaria o albergue rumo à Bélgica pra mais um show do Maiden, o penúltimo dessa turnê. Dormi até, pelo que lembro, 19h30. Quase 10h, nada mal. E dessa vez, naturalmente. Sem a ajuda dos meus tradicionais amigos de sono, Apraz e Aprazolan. Acordei novo em folha. Vale chamar a atenção pro albergue que fiquei em Veneza, chamado Alba D’Oro. O Albergue fica na estrada e na verdade é um camping com várias cabines. Muito acolhedor o local. Piscina, restaurantes. Um vale das cascatas da vida. Muito bacana. Havia várias famílias, traillers, o caralho. Muito bacana o ambiente. Achei minha cabinezinha e lá me acomodei. Pequena mas confortável. Tinha até ar condicionado, rapaz. E, tudo isso por 15 euros e a cinco minutinhos do aeroporto. Era uma cabenizinha com três camas, mas, pra minha sorte, eu tava sozinho. Completamente dono do pedaço. Depois de acordar, fui buscar informações da minha rota do dia seguinte. O vôo pra Bélgica sairia do outro aeroporto, o de Treviso. Teria que acordar antes das 5h, tomar meu banho longo e reforçado e sair antes do café da manhã. Que pena. Do albergue, peguei um ônibus pra estação de trem, de lá, o trem pra Treviso e de lá, um outro ônibus com destino ao aeroporto. Todos com horários interligados e estava eu no aeroporto duas horas e meia antes do vôo pra não haver problema. Fiz meu check in e lá fui pro portão de embarque com bastante antecedência também. Pra quem já perdeu vôo e tá pra lá de ruim de dinheiro, não se pode mais dar ao luxo de perder um vôo...

No momento, falo do avião, rumo à Bélgica pra mais um show do Maiden. Pelo que entendi, tenho um trem gratuito disponibilizado pelo festival de ida e volta do aeroporto pro local do show e vice-versa. Espero que seja assim mesmo, pois na Itália, além de toda a decepção com o local, a organização foi péssima e chegar lá foi difícil, pois não havia muita informação. Da Bélgica, seguimos pra Valência, Espanha, palco do último show do Maiden este ano. Depois, só a partir de fevereiro, quando começa a turnê pra valer do novo álbum, o The Final Frontier que está fantástico. Particularmente, to ansioso pra ouvir as novas músicas ao vivo que estão do cacete, assim como novas surpresinhas no set list, novo Eddie, novo layout do Ed Force One que voará novamente em 2011 e bla bla bla. A turnê começa em fevereiro do próximo ano e deve passar pelo Brasil em março, com Recife já confirmado pro dia 27, no mesmo Jockey Club, segundo o produtor que trouxe a banda em 2009. Isso se o Maiden não for tocar no Rock in Rio IV (de volta ao Brasil, finalmente, depois de 10 anos. Pode me esperar, Raulzão!!) em setembro ou outubro, pois, se acontecer, provavelmente será show único no Brasil. Esperemos. As aventuras italianas foram essas, pessoas. Tudo de bom, cuidem-se e até o próximo post.

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free


PS: A minha impressão pelos italianos mudou, pois, dessa vez, os mesmos foram muito simpáticos e solícitos o tempo todo. Talvez por Veneza e Udine serem cidades menores e não terem o estresse das grandes metrópoles, as pessoas são mais tranqüilas, simpáticas e muito pacientes e solícitas com os turistas. Não vou deixar que minha boa impressão sobre os mesmos seja apagada por uma recepcionista cuzona que queria que eu pagasse 15 euros porque minha mochila tava meio quilo acima do peso. Tirei o notebook da mochila, botei na mão, fui pra próxima atendente e fiquei olhando pra cara da outra cuzona com sarcasmo. É cada uma que tenho passado nessa viagem...

16 de agosto de 2010

Iron Maiden, Pollus Center Mall, Transilvania, Cluj Napocc, Romênia - 15/08/2010

Transilvania, Cluj Napocca, Romênia

"Mother of Mercy, Angel of death desire, Mother of mercy, Taking my last breath, of fire, Mother of mercy, Angel of pain, Mother of mercy, Taking my last breath..."

E finalmente deixamos a Hungria e todos os seus carregos pra trás, rumo à Transilvania, Romênia, terra do Conde Drácula, ui!!! Não preciso dizer que o trem era vagabundo, né? Calor dos infernos e não tinha ar condicionado nem uma janelinha aberta pra ventila aquela desgraça. Seriam sete longas horas de tortura até chegar lá, visto que o próximo show do Maiden, era no dia seguinte ao da Hungria, então, a coisa seria punk em termos de cansaço. Chegaria lá por volta das 15h, onde me viraria pra descobrir o lugar do show e pra lá me mandar. E foi quase assim. Quase.

Tava morto de cansado. Resolvi deixar a pilha de lado e dormir. Mais uma vez, amarrei a mochilha no braço, deitei em cima dela, recorri aos meus amigos apraz e aprazolan e capotei. Fui acordado duas vezes por policiais nem um pouco simpáticos na Hungria e na Romênia pra carimbarem meu passaporte. Achei que não tinha isso em trem. Da Espanha pra Suíça, não teve. Mas aqui, como tudo é diferente, né, tive meu sono interrompido duas vezes...







Cheguei na Transilvania, Cluj Napocca, Romênia, uma hora depois do previsto. A hora aqui é diferente da Hungria. Putz, mais essa. O dinheiro também é diferente. Aqui, usam o leo romeno. Ao menos é mais fácil de usar que a porra do florim húngaro. Um euro equivale a aproximadamente 4,30 leos romenos. Ou seja, tudo aqui é realmente barato. Assim que desci da estação, no mundo da lua, pois estava dormindo, fui abordado pelo André, o brasileiro, lembram? Nunca pensei que fosse ficar tão contente em ver um brasileiro por essas bandas sombrias daqui, hehe. Sem viadagem ok, André e fica na boa, Betânia, que não gosto de homem, hehe. Teu noivo tá a salvo, hehe.

Mortos de cansados e já de olho vivo com tudo que passamos na Hungria, estávamos mais espertos. Fomos tirar dinheir e buscar informações de como chegar no hotel (eles) e ao local do show (eu). O péssimos serviço de atendimento nos deu umas dicas que não nos adiantou muito pra ser honesto. Nos viramos sozinhos mesmo. Numa cidade daquele tamanho, ter serviço de informação numa estação do meio do nada já era um milagre, então, não reclamemos, hehe. Na frente da estação tinha um mercadinho. Até tentamos comprar algo lá, e tava beeem barato, mas desistimos quando não conseguiram entender nada que a gente pedia. O jeito foi comer uma pizza do lado. Foi bem barato, mas tinha um povo sinistro, olhando pra gente o tempo todo, oferecendo celular pra vender e nós lá, piando o cu, hehe. Uma nada simpática garçonete nos atendeu. Conversamos um bocado (até que a pizza era gostosa), e fomos cada um pro seu lado. Primeira dificuldade. Como é difícil pegar carro aqui na Romênia. O Flávio Gomes, do blog, porém, ia adorar isso aqui, pois é Dacia pra todo lado. A cidade é mais feia e menor que Budapeste, mas a frota (ao menos a de carros), não é tão socateada quanto na Hungria. O André pegou um táxi com a noiva pro hotel e eu ia me virar pra ir pro local do show. Descobri que de taxi, me custariam apenas 20 leos, cerca de 5 euros, sem taxímetro. Nada mal. O taxista não falava inglês, mas era simpático, honesto e engraçado, ao menos. O cara fez de tudo pra entender e ajudar. Não posso reclamar deste. Ainda na estação, reconheci dois malucos de todos os shows que já vi. Fui lá conversar com eles. Eram dois finlandeses. Um de 19 e outro de 18 anos. Pareciam saidos dos anos 80, hehe. Cabelo de franjinhas, jaquetas coloridas, uma comédia. Mas, super legais. Acabei os encontrando no show e esses mesmos caras salvaram minha vida. Jajá conto.







Os simpáticos finlandeses foram pro hotel também e fiquei sozinho. Tive que ir de taxi e sozinho mesmo pro show. Como foi barato, nao reclamei. O lugar, um tal de Pollus Center era um estacionamento de um shopping. Tinha um carrefour perto. Cluj é uma cidade pequena, de cerca de 350 mil habitantes e, um show do porte do Iron Maiden, era motivo de feriado na cidade. Tinha cerca de 20 mil pessoas lá. Pergunto novamente. O que é que essa banda tem? Assim que entrei, encontrei os dois finlandeses e acabamos nos fazendo companhia. Pouco depois, encontramos um japonês (que os finlandeses já haviam conhecido), totalmente maluco. O cara tem 38 anos e só foi a 117 shows do Maiden pelo mundo afora, ehhe. Até no Recife o cara já foi, hehe. Tava inclusive com a camisa do Eddie Cangaçeiro. E vocês dizem que sou maluco, né? Esse cara é o que, então?

E e os finlandeses estávamos bem cansados, pois dois shows seguidos em países diferentes é beem desgastante. Sentimos o mesmo da banda. Até ameaçaram um esboço de surpresa, tocando o comecinho de Transilvania na introdução do show, logo após a Doctor Doctor, mas ficou por aí, mesmo. Digamos que a surpresa ficou pra camisa especial do evento com o Eddie matando o Conde Drácula com o castelo dele de fundo. Linda arte, por sinal. E e os finlandeses, acordamos que não tentaríamos a grade nesse show e ficaríamos mais distantes pra ver o show em paz, ao contrário do que foi na Hungria. Como ainda vamos pros tres ultimos shows dessa turne do Maiden, Itália amanhã, Bélgica dia 19 e finalmente o ultimo, Espanha, dia 21, resolvemos poupar energia. O Maiden fez um show burocrático, dando 100% de si, como sempre, mas nós, que acompanhamos show a show essa turnê, percebemos que a banda não tava lá tão empolgada e visivelmente cansada. Po, os caras tem mais de 50 anos e fazem um show como tivessem 20. Dois seguidos então, não deve ser fácil. Os caras suam em bicas o show todo. Muito apático o público romeno, talvez pela ausência de mais clássicos no set list visto que, a maioria esmagadora do público não era composta daqueles fãs que tem acompanhado a banda nos últimos anós e sim os coroões, hehe. Devem ter se decepcionado com o set list voltado pros três últimos álbuns.

Após o show, ficamos esperando o japonês maluco. Que dificuldade pra pegar um táxi!! Caminhamos quase duas horas pra conseguir pegar um. Minha idéia era ir direto do local do show pro aeroporto e lá dormir, passar a segunda toda, dormir de novo e pegar o vôo pra Itália na manhã da terça, mas tudo mudou. Um detalhe especial sobre os europeus. São 8 ou 80. Ou te ajudam pra valer ou finjem que você não existe. Os finlandeses me convidaram pra ir pro hotel deles sem precisar pagar nada. Como tava cansado e precisava dum banho, aceitei a proposta. Então, fomos nós quatro no mesmo táxi. Eu, os dois finlandeses e o japones maluco. Os finlandeses me ofereceram bebida, pagaram o táxi e não me deixaram pagar um puto. Tomei meu longo banho e fui dormir. Não satisfeitos, um dele abriu mão do travesseiro só por minha causa. E os dois me deram suas colchas de dormir. Não posso reclamar de boas pessoas nessa viagem, posso?

Dormimos numa boa, ninguém tentou comer minha bunda, hehe, e na manhã de hoje, segunda, dia 16 de agosto, viemos todos juntos, mais uma vez, pra estação. De lá, os finlandeses pegaram um trem pra Itália e eu to aqui, falando com vocês, do aeroporto de Cluj Napoca, Romênia. São cerca de 19h e meu vôo só sai amanhã pra Veneza, Itália, por volta das 08h da manhã. Ainda farei uma conexão em outra cidade da Romênia chamada Timisoara pra, só então, pegar um vôo rumo a Veneza, Itália. De lá, pelo que o casal de brasileiros falou, vou ter que pegar um trem pra outra cidade chamada Udine que, fica a cerca de 20 Km's de Veneza. Bem, pra quem já viajou tanto, o que são 20 Km's? Hehe. O show do Maiden tem tudo pra ser o melhor da turnê. Ao menos em termos de cenário, o show estará muito bem servido. O lugar tem menos de 100 mil pessoas e um histórico passado. Pra quem gosta de história, adorará o lugar que foi escolhido por Napoleão Bonaparte como Quartel General das tropas francesas durante a Campanha da Itália em 1797. Pra quem gosta mais do assunto e quiser se aprofundar, aí vai o site oficial do lugar: http://www.villamanin-eventi.it

É, pessoas, vou me despedindo de vocês, nossa peregrinação ao Maiden ainda passará amanhã por Timisoara, ainda aqui na Romênia, depois Veneza e Udine, Itália, depois Bruxelas, Bélgica e, finalmente, Valência, Espanha, palco do último show dessa pré turnê do novo álbum do Maiden, "The Final Frontier" que está sendo lançado hoje e já está nas lojas. Inclusive aí no Brasil. É isso, pessoas. Vejo vocês na Itália. Tudo de bom.

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free



PS: Post dedicado aos meus amigos finlandeses que me abrigram com toda simpatia do mundo e me impediram de pagar pela comida, táxi, bebida e hospedagem. Obrigado, caras. Obrigado também aos amigos do Brasil que tem me ajudado nessa empreitadas, eles sabem quem são. E, claro, aos meus pais. Todos, de certa forma, tem sofrido por me ajudar, mas estão todos confiando em mim. Obrigado pessoas, de coração.


PS 2: Esse leste europeu é mesmo estranho...são cerca de 20h e não há uma alma viva no aeroporto exceto a minha. Sim, é o primeiro aeroporto do mundo que fecha. Simplesmente não há vôos. Nenhum. Nem chegando nem partindo. O mais próximo é o das 06h30 de amanhã. Não há nada aberto aqui, até porque não há ninguém pra atender. Me sinto literalmente numa cidade abandonada ou como naquela música de Raul Seixas: "No dia em que a terra parou..." Mas, sempre vejamos as coisas pelo labo bom. Não há ninguém me enchendo o saco, filas, barulho, nada. Silêncio total. Eu, eu mesmo, o notebook, o novo cd do Maiden e vocês. Sagrada seja a internet. Já pensou se não houvesse internet, como eu passaria essas longas horas? Então..."Always look on the bright side of life..."

Iron Maiden, Sziget Festival, Mozaik Utca, Budapeste, Hungria - 14/08/2010

"Bichos! Saim dos lixos. Baratas! Me deixem ver suas patas. Ratos! Entrem no sapato do cidadão civilizado..."

Transilvania, Cluj Napocca, Romênia

Sabia, muuuito superficialmente, que o leste europeu, Eslovênia, Eslováquia, Polônia, República Checa, Hungria e Romênia (perdão se estou esquecendo alguns ou não), era a parte pobre da Europa mas, achava que não devia ser lá tão ruim assim, que era exagero e que, uma cidade famosa como Budapeste que recebe o Grande Prêmio da Hungria de Fórmula 1 desde 1986 não podia ser tão lascada assim. E ainda falam do Brasil...

Nossa longa viagem à Budapeste incluiu sair de Bergen, Noruega, na manhã da quinta, dia 12 de agosto com destino a Budapeste, Hungria, fazendo uma conexão em Roma, Itália. Como já falei no blog anterior, a primeira impressão sobre a Itália foi péssima pois, além de terem um aeroporto do tamanho do mundo (Fiumicino) e sem nenhuma tomada, os italianos, ao menos os poucos que tive o desprazer de conhecer, eram mal educados, esparrentos e falavam alto. Tudo que odeio. O avião pra Hungria atrasou e só chegou no aeroporto de lá (Feriheji) por volta das 0h45 já da quinta pra sexta, 12 pra 13. Ou seja, chegar numa cidade estranha numa sexta-feira 13 não parecia lá muuuito simpático. Mesmo pra quem não acredita nessas coisas como eu.







Havia perdido minha jaqueta em Bergen e torcia pra não fazer frio em Budapeste, pois, a única coisa que tinha pra me proteger seria um impermeável, herança do meu amigo polonês que me ajudou na primeira viagem à Inglaterra, no primeiro festival, o Download. E cheguei fazendo um frizinho na Hungria. Mas, suportável. Primeira impressão, boa. Aeroporto pequeno, mas bonito e limpo, com tomada (viu, Itália!!) e internet de graça! Iria ter que esperar amanhecer pra ir no meu lugar comum, a cabine de informações pra saber onde ficava o albergue. Eram aproximadamente 01h da manhã e as informações só abririam às 09h. Como já não dormia direito há uns dois dias, decidi amarrar a mochila no braço e dormir em cima da mesma até a porcaria das informações abrirem. Fui acordado por duas policiais feiosa húngaras. Disse que tava só esperando as informações. Não foram simpáticas, mas também não foram estúpidas. Foram a feiúra natural das duas, nada mais assustou. Lá fui eu pras informações e aí, minha imagem sobre Budapeste, Hungria, foi se moldando. A atendente, feia como as policias, não foi nem um pouco simpática e mal explicou como chegar ao albergue. Mas tudo bem, funcionou. O importante era isso. Aí vieram as primeiras dificuldades. Além de não dar pra entender porra nenhuma de húngaro, a moeda que eles usam, o florim, é muuuito confuso e volumoso. 1 euro vale aproximadamente 280 florins. Nada usual. Paguei cerca de 2.800 florins por uma van pra me deixar na porta do albergue. Com aquele povo "simpático" que pouco falava inglês e aquela língua complicada, não ia dar chance ao tal de azar de me pegar de novo. E assim o fiz. Na ida, fui pedir informação a um funcionário do aeroporto que trabalhava nas informações. O cara, todo doído, foi dizendo que não falava inglês e que não era estúpido. Das duas uma, ou tem o pau pequeno ou pegou a mulher com outro. Pela primeira vez, perdi a paciência com esse tipo de imbecil nessa viagem e mandei o cara tomar no cu. Não entendeu mesmo. Azar o dele. Mas acho que mesmo sem entender, um dos dois neurônios dele percebeu que eu tava xingando o cidadão...

Primeira impressão já formada sobre Budapeste, Hungria, tinha sido péssima e piorou ainda mais ao longo do caminho pro albergue. A cidade é feia, suja, fedida, desorganizada e a frota de ônibus e carros parece mais um filme de terror! O nada simpático motorista me deixou no albergue sem dizer uma palavra e com cara amarrada. Tava morto de cansado. A atendente, bonita, mas toda bagunçada, também não foi simpática, mas foi solícita ao dizer como chegar no local do show no dia seguinte, onde apanhar o trem pra Romênia, custos, supermercado perto, essas coisa toda. Deixei minhas coisas e fui comprar comida num supermercado vagabundo. Mais pessoas chatas, mal educadas, feias, grossas e fedorentas no caminho. Voltei pro albergue, comi, tomei um banho e cama. De longe, o pior albergue que já peguei. Vagabundo, sujo. Uma bosta. Só queria dormir e assim o fiz. Sempre na companhia dos meus amigos apraz e aprazolan, apesar do cansaço. Sei que foi uma das piores noites de sono da minha vida, além de acordar com uma dor infeliz nas costas por causa do colchão vagabundo que me deram, tive pesadelos horríveis que, vou guardar comigo...







Tomei outro banho, comi, e lá fui eu pra estação, na manhã de sábado, garantir o trem pra Romênia no dia seguinte. 35 euros. Não caro, mas também não barato. Comprei, sosseguei e lá fui pro local do Szigest Festival onde o Maiden tocaria. 2 trens, tão vagabundos e sucateados como os carros e ônibus. Aviso. Se alguém for usar essas coisas, cuidado, pois as portas fecham devagar o suficiente pra amputar alguém. Aff Maria. Onde eu vim parar!! A essa altura, eu já contava as horas pra me mandar da Hungria...

Cheguei no festival e um calor desgraçado. Gente pra todos os lados, claro. Comi algo e fui logo pra arena principal onde o Maiden tocariam. Seriam longas 6h de espera, mas, fazer o que. O que menos queria era andar e me cansar naquele lugar e, como havia sombra debaixo do palco, pra lá fui. A primeira coisa que percebi é que tinha um bando de italianos lá. Mas até que húngaros. Pior, mais espalhafatosos e barulhentos que os do vôo. Não preciso dizer que meu humor foi pro espaçao com aquele bando de imbecil. A primeira banda, pro meu azar era italiana. Uma tal de Subsonica. Foi a coisa mais artificial que vi na vida. O tecladista fazia mais pose de cheirado e doidão que tocava, o tecladista careca ficava se tocando o tempo todo, o baixista, também careca, não tinha expressão, o guitarrista, forçava pra aparentar que tava curtindo e o baterista, nem um nem outro. Que coisa triste. Mas pra italiana era bom. Curtiram. Pra minha sorte, após essa bosta de shows, os babacas italianos foram embora. Ufa. Teria paz!!

Vieram outras bancas babacas, mas a coisa ficou feia mesmo quando uma banda húngara entrou no palco, uma tal de Tankcsapda. A maior banda de lá. Os heróis locais. Tinha mais húngaro maluco nos shows dos caras que no do Maiden. Aí, os húngaros começaram a demonstrar que eram ainda mais pé no saco que os italianos. Po, que curtir o show, curte, mas respeita o espaço dos outros como na Finlândia. O que mais tinha era um bando de bêbado que não sabia uma música e só tava lá na frente pra arrumar confusão e empurrar todo mundo. Conheci uns húngaros legais que ficaram mais putos com os conterrâneos do que eu...

Fiz amizade com um cara bacana da Bulgária que me cedeu as fotos após o show. Também encontrei com o casal de brasileiros que havia encontrado no Sonisphere Festival da Inglaterra. O André e a Betânia do Espírito Santo. Após horas de espera, era chegada a hora do Maiden. Não tavam com a produção de luz completa como na Noruega, apenas umas luzinhas vagabundas e pronto. Talvez por ser festival, talvez porque os pão-duro húngaros tenham escolhido o show mais barato mesmo.

Pontualmente, o Maiden subiu no palco, pouco antes das 21h. Eu, que estava na grade, fui sendo levado pro meio e depois pros lados a pulso. Como já tava cansado de gente imbecil, escolhi sair do meio daquele bando de animal que sequer gostava da banda. A maioria tava lá pra arrumar confusão mesmo. Ao final, dei sorte de encontrar com o simpático búlgaro que me cedeu as fotos, assim como o casal de brasileiros. Como eu já desconfiava que após o começo do show do Maiden, a coisa ia ficar selvagem, falei com ambos pra me encontrarem debaixo do telão do lado esquerdo do palco após o fim do show. E assim o fizeram.

O show do Maiden foi selvagem como o público. Acho que a banda sempre reage melhor as adversidades e cresce nos momentos ruins. No início do show, o som tava uma bosta e um Bruce Dickinson, puto da vida, gesticulava pra todos os lados. Dave Murray também, só que de forma mais sossegada. Após umas músicas, resolveram o problema do som, finalmente. Coisas da Hungria. Ow paisinho...

Burocraticamente, o Maiden repetiu o mesmo set list, os mesmos discursos e as mesmas brincadeiras, o que já ta se tornando um pouco chato pra ser honesto. Mas o show foi selvagem, assim como o público e, juntamente com os problemas, os caras se superaram e fizeram um showzão. Poderiam ousar mais. Uma banda tão rica em música, histórias e etc, deveria ousar mais. Tem tanta bala pra gastar e não sei porque ficam economizando...o importante é que era meu sexto show dessa turnê e nono do Maiden. E tudo correu bem. Ainda bem.

Na volta, fomos roubados mais uma vez pelo filhos da puta dos húngaros. Eu ficaria na estação de trem, onde iria rumo à Romênia às 6h da manhã do outro dia e o casal de brasileiros, ia pro hotel, dormir um pouco e ir pra Romenia tambem, no mesmo trem que o meu, na mesma hora. Saltei na estação e eles foram pro hotel. A média de táxi na Hungria é de 2.800 florins ou cerca de 10 euros. O filho da puta ladrão do taxista cobrou 17.000 ao casal. Me contaram no outro dia. Era cerca de meia noite quando cheguei na estação e, advinhem? Fechada!! Como uma estação de trem fecha?? É o mesmo que imaginar num hospital ou aeroporto que fecha. Absurdo!!

Metaleiros de todo canto da Europa chegavam a estação e também não entendia nada. Ao meu lado, um simpático casal frances que também tava traumatizado com Budapeste. Reserveram um hotel meses antes e quando chegaram lá, o local nao existiam. Tavam a dois dias sem dormir e agora, mais cansados e decepcionados ainda com essa da estação fechar. Pessoas, passem longe da Hungria. Que pesadelo. Eu sou feliz e não sei. Recife e Brasil são respectivamente Londres e Europa e a gente não sabe...

Fiquei esperando na estação até a hora do trem bem acordado. É claro que não ia dormir naquele lugar sujo e sinistro. A estação só abriu às 4h da manhã. Meu trem saía as 06h43 e a zona húngara se superava. O meu treme nao aparecia no telão de indicações de saídas, ficava numa plataforma "especial", putz. Assim esperei e me despedi da Hungria sem nenhuma saudade. Nunca mais volto nesse lugar. Tudo uma bosta. Transporte, segurança, pessoas. Budapeste tem um centro bonito que dura 5 minutos, depois, é só tristeza. Há muuuitos lugares melhores pra se conhecer, principalmente aqui na Europa, então, estejam avisados, passem longe do leste europeu. Longe da Hungria!!

Set List

01. Intro: Doctor Doctor - The Wicker Man
02. Ghost Of The Navigator
03. Wrathchild
04. El Dorado
05. Dance Of Death
06. The Reincarnation Of Benjamin Breeg
07. These Colours Don't Run
08. Blood Brothers
09. Wildest Dreams
10. No More Lies
11. Brave New World
12. Fear Of The Dark
13. Iron Maiden

Bis

14. The Number of the Beast
15. Hallowed Be Thy Name
16. Running Free


PS: Dedico esse post ao meu amigo Raul do Rio. Só eu sei a força que esse cara tá me dando nessa viagem. Raulzão, brigadão, cara. Tudo de bom e me espera que em seteembro to de volta. Menos de um mês pra essa minha turnê maluca acabar, ehhe. Tudo de bom.